Estudo indica que volume ideal de exercícios para proteger o coração é quase o dobro da meta da OMS
Pesquisa do British Journal of Sports Medicine indica que 560 a 610 minutos semanais de exercícios moderados a vigorosos reduzem riscos cardíacos. O estudo com 17 mil pessoas do UK Biobank sugere volume superior à meta da OMS. Apenas 12% dos participantes atingiram esse patamar
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Para reduzir significativamente as chances de desenvolver problemas cardíacos, como infartos e derrames, a prática de exercícios físicos de intensidade moderada a vigorosa precisaria totalizar entre 560 e 610 minutos por semana. O dado é central em uma pesquisa publicada no *British Journal of Sports Medicine*, indicando que o volume ideal de atividade para a proteção cardiovascular é quase o dobro da meta atualmente estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda 300 minutos de atividade moderada ou 150 minutos de exercício intenso semanalmente.
O estudo analisou dados de mais de 17 mil pessoas integrantes do UK Biobank, banco de dados biomédicos do Reino Unido, entre 2013 e 2015. Durante sete dias consecutivos, os participantes utilizaram dispositivos de pulso para registrar seus níveis habituais de exercício, sendo acompanhados por um período de sete a oito anos. A avaliação considerou variáveis como pressão arterial, frequência cardíaca em repouso, índice de massa corporal, dieta, autoavaliação de saúde, consumo de álcool e tabagismo.
Apesar da recomendação mais elevada, apenas 12% dos participantes atingiram o patamar de 560 minutos semanais. A pesquisa também identificou disparidades conforme o condicionamento físico: pessoas com menor aptidão precisaram de 30 a 50 minutos adicionais de atividade por semana para obter benefícios equivalentes aos de indivíduos com alto condicionamento.
Ainda que a meta sugerida seja maior, a prática de 150 minutos semanais já promove uma redução de 8% a 9% no risco de doenças cardiovasculares. Aiden Doherty, professor de Informática Biomédica na Universidade de Oxford, ressalta que a população deve manter a busca por esse mínimo de 150 minutos, embora a intensificação da prática amplie os ganhos à saúde.
Por ser um estudo observacional, os resultados estabelecem uma associação entre os fatores, sem definir conclusões definitivas de causa e efeito. Os pesquisadores também apontaram limitações na medição do tempo sedentário e na estimativa da capacidade cardiorrespiratória dos voluntários. Como as diretrizes de saúde pública passam por revisão, os dados podem fundamentar a criação de metas mais ambiciosas para a prática de exercícios físicos.