Saúde

Exames de sangue podem detectar alterações ligadas ao Alzheimer até 20 anos antes dos sintomas

09 de Julho de 2026 às 06:09

A Conferência da Associação Internacional de Alzheimer ocorre em Londres entre 12 e 15 deste mês. O evento discute diagnósticos de doenças neurodegenerativas e a aplicação de fármacos que reduzem a proteína beta-amiloide no cérebro. Estudos previstos para 2027 focarão na medicação precoce de pessoas saudáveis com depósitos dessa proteína

Exames de sangue podem detectar alterações ligadas ao Alzheimer até 20 anos antes dos sintomas
Aging without limits

A Conferência da Associação Internacional de Alzheimer reúne especialistas globais em Londres entre os dias 12 e 15 deste mês. O evento ocorre em um momento de discussões sobre a complexidade do diagnóstico de doenças neurodegenerativas, especialmente na diferenciação de quadros de cognição prejudicada.

Para o neurologista comportamental Jagan Pillai, diretor do Centro de Saúde do Cérebro da Cleveland Clinic, a prioridade médica deve ser a identificação de causas reversíveis. Isso inclui a verificação de efeitos colaterais de medicamentos, quadros de depressão, diabetes não controlados ou transtornos reumatológicos que gerem inflamações significativas no organismo. Caso essas possibilidades sejam descartadas, a investigação avança com o apoio de familiares ou cuidadores, cujo relato é essencial para fornecer a equipe de saúde a perspectiva de terceiros sobre a evolução do paciente.

Historicamente, o diagnóstico definitivo dependia de dois métodos principais: a análise do líquido espinhal ou o PET cerebral. Ambos são procedimentos de alto custo e, no Brasil, a disponibilidade no SUS é restrita a centros de pesquisa de referência ou hospitais universitários. Atualmente, surgiram exames de sangue capazes de detectar alterações biológicas entre 15 e 20 anos antes dos primeiros sintomas, embora essa tecnologia esteja disponível apenas na rede privada.

No campo terapêutico, Estados Unidos e Brasil já possuem remédios aprovados que reduzem a proteína beta-amiloide no cérebro, substância ligada ao risco de Alzheimer. Tais fármacos não promovem a cura e apresentam benefícios limitados para pacientes com demência moderada.

A perspectiva de novos avanços surge com estudos previstos para 2027, mencionados por Bruce Miller, diretor do Centro de Memória e Envelhecimento da Universidade da Califórnia, em San Francisco. A pesquisa focará em pessoas saudáveis que possuam depósitos de beta-amiloide, mas que ainda não manifestem sintomas, com o intuito de aplicar medicamentos precocemente para reduzir a concentração da proteína e retardar a progressão da doença.

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