Saúde

Grupos no Reino Unido combatem estereótipos e a visão limitada sobre a vida com demência

18 de Junho de 2026 às 06:07

Grupos como a Young Dementia Network e a Dementia Alliance International combatem estereótipos e a falta de suporte a pacientes com demência no Reino Unido. O movimento questiona a visão focada em perdas e a escassez de reabilitação fonoaudiológica para esses indivíduos

O diagnóstico de demência frequentemente impõe aos pacientes um "modelo deficitário", no qual a maturidade é vista apenas sob a ótica das perdas. Essa percepção equivocada ignora a elasticidade cerebral e resulta em uma mudança drástica na forma como a sociedade interage com o indivíduo, priorizando a doença em detrimento da pessoa.

Essa realidade é combatida por grupos conhecidos como "rebeldes da demência", que atuam no Reino Unido por meio de organizações como a Young Dementia Network, a Dementia Alliance International e o Deep (Dementia Engagement and Empowerment Project). O objetivo desses movimentos é enfrentar estereótipos e a carência de suporte após a confirmação da patologia.

A resistência a esse modelo conservador é exemplificada por casos como o do professor George Rook, diagnosticado em 2014, aos 63 anos. Rook rejeitou recomendações comuns de evitar riscos, não se cansar e focar apenas na preparação para o futuro, argumentando que a ausência de incentivos para a socialização, o aprendizado e o voluntariado prejudica a vida ativa. No mesmo sentido, a psicoterapeuta Maxine Linnell, de 78 anos e diagnosticada há quatro anos, relatou a sensação de ser precocemente empurrada para as fases avançadas da doença pelo olhar externo.

A visão limitada sobre a capacidade de aprendizado de quem convive com a demência também impacta o acesso à saúde. Diferente do que ocorre em casos de afasia pós-derrame, onde a fonoaudiologia é prontamente indicada, pacientes com demência raramente recebem reabilitação para problemas de fala, apesar de os benefícios desse tratamento estarem documentados. Um exemplo dessa busca por superação é o de Swaffer, que atualmente cursa doutorado na Universidade de Adelaide.

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