Hospitais pediátricos dos Estados Unidos integram cães de apoio em tempo integral ao atendimento
Hospitais pediátricos dos Estados Unidos integram cães de apoio em tempo integral para auxiliar crianças em tratamentos e procedimentos. A prática, fundamentada em estudos sobre a redução de estresse e pressão arterial, expandiu-se para instituições como o Johns Hopkins Children's Center. As unidades de saúde custeiam a manutenção dos animais, que seguem protocolos rígidos de higiene
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Hospitais pediátricos nos Estados Unidos estão integrando cães de apoio em tempo integral às suas rotinas de atendimento, diferenciando-se das visitas ocasionais de cães de terapia. Esses animais passam por treinamento específico para atuar diariamente junto às equipes médicas, auxiliando crianças a lidarem com internações prolongadas, tratamentos desgastantes e a realização de procedimentos invasivos.
A expansão dessa prática é impulsionada por evidências científicas sobre os benefícios físicos e emocionais aos pacientes. De acordo com Kerri Rodriguez, diretora do Laboratório de Vínculo Humano-Animal da Universidade do Arizona, interações com cães de assistência reduzem níveis de cortisol e a pressão arterial, combatendo sinais de estresse e promovendo a sensação de normalidade em ambientes hospitalares. A adesão a essa modalidade é evidenciada pelo aumento de quase 100% na participação de um encontro anual voltado a cães de apoio hospitalar entre 2024 e 2025.
Instituições como o St. Louis Children's Hospital, o Norton Children's Hospital, em Kentucky, e o Mount Sinai Kravis Children's Hospital, em Nova York, já utilizam esse suporte há anos. Recentemente, em março, o Johns Hopkins Children's Center incluiu seus dois primeiros cães de apoio. Geralmente, os animais são provenientes de organizações sem fins lucrativos especializadas em treinamento; embora a adoção não seja paga pelos hospitais, as unidades de saúde arcam com os custos de manutenção, veterinário e alimentação.
O impacto positivo é corroborado por estudos acadêmicos. Uma pesquisa de 2021, publicada no Journal of Pediatric Nursing, apontou melhoras no controle da dor e da pressão arterial em crianças e adolescentes. Já um levantamento de 2022, realizado em 17 hospitais pediátricos, concluiu que a presença dos animais torna o ambiente menos hostil e facilita a criação de vínculos entre pacientes e famílias.
Além do suporte emocional, os cães estimulam a mobilidade física durante a recuperação. No Hospital Infantil de Cincinnati, a labradora Hadley exemplifica esse papel ao incentivar pacientes, como Bethany Striggles, de 11 anos, que finalizou quimioterapia para câncer ósseo, a se exercitar nos corredores. Outro exemplo ocorreu com um menino de 5 anos que, após um mês confinado em casa, conseguiu se levantar de sua cadeira de rodas para brincar com a cadela no pátio da instituição.
Para garantir a segurança em áreas sensíveis, como a ala de oncologia e doenças hematológicas de Cincinnati, onde Hadley atua, são aplicados protocolos rígidos de higiene. A cadela toma banho duas vezes por mês, com limpezas extras conforme a necessidade, e exige-se que profissionais e pacientes higienizem as mãos antes e depois do contato. Em situações de isolamento, o acesso dos cães aos quartos é restrito, exceto para pacientes em estado terminal que solicitam o conforto emocional do animal.
O suporte estende-se aos familiares. Aspen Franklin, de 14 anos, que trata uma doença autoimune grave, desenvolveu vínculo com Hadley, o que, segundo a mãe da jovem, beneficia inclusive os irmãos da paciente, que ficam distantes de seus próprios pets durante a hospitalização. No hospital, os cães possuem espaços de descanso decorados com mensagens e desenhos feitos pelas crianças, que descrevem os animais como melhores amigos.