Saúde

Hospitais pediátricos dos Estados Unidos integram cães de apoio em tempo integral ao atendimento

23 de Maio de 2026 às 12:07

Hospitais pediátricos dos Estados Unidos integram cães de apoio em tempo integral para auxiliar crianças em tratamentos e procedimentos. A prática, fundamentada em estudos sobre a redução de estresse e pressão arterial, expandiu-se para instituições como o Johns Hopkins Children's Center. As unidades de saúde custeiam a manutenção dos animais, que seguem protocolos rígidos de higiene

Hospitais pediátricos dos Estados Unidos integram cães de apoio em tempo integral ao atendimento
AP/Carolyn Kaster

Hospitais pediátricos nos Estados Unidos estão integrando cães de apoio em tempo integral às suas rotinas de atendimento, diferenciando-se das visitas ocasionais de cães de terapia. Esses animais passam por treinamento específico para atuar diariamente junto às equipes médicas, auxiliando crianças a lidarem com internações prolongadas, tratamentos desgastantes e a realização de procedimentos invasivos.

A expansão dessa prática é impulsionada por evidências científicas sobre os benefícios físicos e emocionais aos pacientes. De acordo com Kerri Rodriguez, diretora do Laboratório de Vínculo Humano-Animal da Universidade do Arizona, interações com cães de assistência reduzem níveis de cortisol e a pressão arterial, combatendo sinais de estresse e promovendo a sensação de normalidade em ambientes hospitalares. A adesão a essa modalidade é evidenciada pelo aumento de quase 100% na participação de um encontro anual voltado a cães de apoio hospitalar entre 2024 e 2025.

Instituições como o St. Louis Children's Hospital, o Norton Children's Hospital, em Kentucky, e o Mount Sinai Kravis Children's Hospital, em Nova York, já utilizam esse suporte há anos. Recentemente, em março, o Johns Hopkins Children's Center incluiu seus dois primeiros cães de apoio. Geralmente, os animais são provenientes de organizações sem fins lucrativos especializadas em treinamento; embora a adoção não seja paga pelos hospitais, as unidades de saúde arcam com os custos de manutenção, veterinário e alimentação.

O impacto positivo é corroborado por estudos acadêmicos. Uma pesquisa de 2021, publicada no Journal of Pediatric Nursing, apontou melhoras no controle da dor e da pressão arterial em crianças e adolescentes. Já um levantamento de 2022, realizado em 17 hospitais pediátricos, concluiu que a presença dos animais torna o ambiente menos hostil e facilita a criação de vínculos entre pacientes e famílias.

Além do suporte emocional, os cães estimulam a mobilidade física durante a recuperação. No Hospital Infantil de Cincinnati, a labradora Hadley exemplifica esse papel ao incentivar pacientes, como Bethany Striggles, de 11 anos, que finalizou quimioterapia para câncer ósseo, a se exercitar nos corredores. Outro exemplo ocorreu com um menino de 5 anos que, após um mês confinado em casa, conseguiu se levantar de sua cadeira de rodas para brincar com a cadela no pátio da instituição.

Para garantir a segurança em áreas sensíveis, como a ala de oncologia e doenças hematológicas de Cincinnati, onde Hadley atua, são aplicados protocolos rígidos de higiene. A cadela toma banho duas vezes por mês, com limpezas extras conforme a necessidade, e exige-se que profissionais e pacientes higienizem as mãos antes e depois do contato. Em situações de isolamento, o acesso dos cães aos quartos é restrito, exceto para pacientes em estado terminal que solicitam o conforto emocional do animal.

O suporte estende-se aos familiares. Aspen Franklin, de 14 anos, que trata uma doença autoimune grave, desenvolveu vínculo com Hadley, o que, segundo a mãe da jovem, beneficia inclusive os irmãos da paciente, que ficam distantes de seus próprios pets durante a hospitalização. No hospital, os cães possuem espaços de descanso decorados com mensagens e desenhos feitos pelas crianças, que descrevem os animais como melhores amigos.

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