Identificação de sinais em cefaleias é fundamental para evitar diagnósticos tardios e a automedicação
A identificação de sinais como localização e frequência diferencia cefaleias tensionais de enxaquecas e dores por uso excessivo de fármacos. Sinais de alerta como febre ou confusão mental exigem atendimento imediato, enquanto a Anvisa aprovou o Nurtec ODT para o tratamento de crises de enxaqueca
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/r/A/lTEAyqRM6tjNBURXZ9zg/image-woman-with-tired-face-sits-with-laptop-office-feels-tension-neck-pain-muscles.jpg)
A identificação precisa dos sinais que acompanham as cefaleias é fundamental para evitar diagnósticos tardios, a automedicação e a recorrência de crises. Embora a maioria das dores de cabeça seja benigna, a análise de fatores como a localização, a frequência, a intensidade e a presença de alterações neurológicas permite diferenciar quadros que exigem abordagens terapêuticas distintas, como a enxaqueca, a cefaleia tensional e a dor causada pelo uso excessivo de fármacos.
A cefaleia tensional, modalidade mais comum, manifesta-se como uma sensação de peso ou aperto nos dois lados da cabeça, podendo irradiar para os ombros e o pescoço. Esse quadro costuma surgir em contextos de fadiga visual, ansiedade, privação de sono ou estresse. Atualmente, a sobrecarga visual e a tensão muscular causadas pelo uso prolongado de computadores e celulares também contribuem para o aumento dessas crises. Diferente da enxaqueca, esse tipo de dor geralmente não provoca vômitos, náuseas ou sensibilidade à luz.
Já a enxaqueca caracteriza-se por uma dor pulsátil e intensa, frequentemente concentrada em apenas um lado da cabeça, embora possa alternar. O quadro é acompanhado por hipersensibilidade a sons, cheiros e luz, além de náuseas e vômitos. Durante as crises, a capacidade de concentração é afetada, podendo ocorrer a lentificação do pensamento e dificuldade em manter conversas ou compreender textos. Em um terço dos casos, surgem as auras: alterações neurológicas transitórias que precedem ou iniciam a dor, manifestando-se por meio de formigamentos, tontura, fala enrolada ou distúrbios visuais, como pontos brilhantes e flashes luminosos.
Um risco relevante ocorre quando a enxaqueca é tratada apenas com analgésicos por longos períodos. Essa prática pode alterar o padrão da dor, fazendo com que ela se assemelhe a uma dor cervical ou tensional, o que dificulta o diagnóstico e favorece a cronificação da doença. Esse cenário pode evoluir para a cefaleia por abuso de medicação, na qual o cérebro apresenta menor resposta aos estímulos de dor devido à exposição repetida a remédios. Esse ciclo de dependência é identificado quando o paciente apresenta dores em 15 ou mais dias por mês e utiliza analgésicos regularmente por mais de três meses. Medicamentos com opioides, cafeína ou tratamentos específicos para enxaqueca estão entre os principais agentes dessa cronificação.
Apesar da prevalência de quadros benignos, a busca por atendimento imediato é indispensável diante de sinais de alerta. Devem ser investigadas urgências quando a dor for súbita e extremamente forte, ou se vier acompanhada de febre, confusão mental, convulsões, perda visual, alteração na fala, perda de força ou se surgir após um trauma. Tais sintomas podem indicar condições graves, como acidente vascular cerebral (AVC), hemorragias cerebrais ou meningite. A investigação médica também é recomendada para quem apresenta dores em três ou mais dias por mês, durante ao menos três meses seguidos.
No campo terapêutico, houve avanços com a criação de anticorpos monoclonais anti-CGRP. Recentemente, a Anvisa aprovou o registro do Nurtec ODT, da Pfizer, primeiro medicamento oral da classe dos gepants no Brasil. O fármaco, que se dissolve na boca, atua bloqueando a proteína CGRP, responsável pela transmissão da dor e inflamação nas crises de enxaqueca.
Contudo, o controle efetivo da doença depende de um conjunto de hábitos, incluindo hidratação, alimentação adequada, atividade física, sono regular e gestão do estresse. A enxaqueca ainda é subtratada e subdiagnosticada globalmente, impactando a produtividade e a qualidade de vida dos pacientes, que muitas vezes negligenciam a condição por ser um sintoma comum.