Saúde

Imunoterapia disponível no Brasil reduz em 71% o risco de progressão do mieloma múltiplo

03 de Junho de 2026 às 06:14

O teclistamabe reduziu em 71% o risco de morte ou progressão da doença em pacientes com mieloma múltiplo, segundo estudo publicado no New England Journal of Medicine. A pesquisa com 593 pessoas indicou maior sobrevida livre de progressão e global, embora tenha registrado maior incidência de infecções graves

Imunoterapia disponível no Brasil reduz em 71% o risco de progressão do mieloma múltiplo
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Uma imunoterapia disponível no Brasil, o teclistamabe, reduziu em 71% o risco de morte ou progressão da doença em pacientes com mieloma múltiplo que já haviam passado por até três linhas de tratamento. Os dados, publicados nesta sexta-feira (29) no New England Journal of Medicine (NEJM), indicam que a medicação, anteriormente reservada para casos mais avançados, apresenta eficácia significativa quando introduzida em fases mais precoces do quadro clínico.

O mieloma múltiplo é um câncer que ataca as células plasmáticas da medula óssea, responsáveis pela produção de anticorpos, podendo provocar insuficiência renal, dores ósseas, anemia e maior vulnerabilidade a infecções. O estudo internacional contou com a participação de 162 centros em 24 países, incluindo o Brasil, e acompanhou 593 pacientes com a doença em estado recidivado ou refratário — situações em que o câncer retorna ou deixa de responder às terapias. Todos os participantes já haviam sido tratados com anticorpos anti-CD38 e lenalidomida.

A pesquisa comparou o uso do teclistamabe com esquemas terapêuticos convencionais. Após um acompanhamento mediano de 17,3 meses, a taxa de sobrevida livre de progressão em 18 meses foi de 69,8% no grupo da imunoterapia, enquanto no grupo controle esse índice foi de 26,9%. A sobrevida global também apresentou vantagem: 79,2% dos pacientes que utilizaram o medicamento estavam vivos após 18 meses, contra 68,6% no grupo comparador.

O fármaco pertence à classe dos anticorpos biespecíficos. Sua função é conectar a proteína BCMA, presente nas células do mieloma, às células T do sistema imunológico, permitindo que o organismo identifique e ataque as células cancerígenas. Jayr Schmidt Filho, autor da publicação e líder do Centro de Referência em Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo, afirma que a pesquisa comprova que o tratamento precoce melhora os resultados em comparação ao uso em pacientes com histórico terapêutico mais extenso.

Apesar dos benefícios na sobrevida e na resposta completa, o estudo registrou maior incidência de infecções graves no grupo do teclistamabe. Infecções de grau 3 ou 4 ocorreram em 41,6% desses pacientes, enquanto no grupo controle o índice foi de 29%, havendo também mais óbitos por infecção. Schmidt explica que a experiência médica no manejo desses riscos evoluiu desde os estudos iniciais. Atualmente, a segurança é reforçada por medidas preventivas, como a reposição de imunoglobulina, vacinação prévia e uso de medicamentos profiláticos, embora o monitoramento rigoroso permaneça indispensável por se tratar de uma terapia imunossupressora. Pacientes devem buscar assistência imediata ao apresentarem calafrios, febre ou dificuldade respiratória.

Os pesquisadores ressaltam que os resultados não se aplicam a todos os casos, pois nenhum participante do estudo havia utilizado previamente terapias CAR-T ou outras drogas direcionadas ao BCMA. A eficácia para esses perfis específicos ainda depende de novas investigações.

Aprovado pela Anvisa, o teclistamabe pode ter sua indicação ampliada para fases iniciais da doença com base nesses dados. Se incorporados às diretrizes clínicas internacionais, os resultados podem alterar a sequência de tratamentos para pacientes com recaída, antecipando o acesso a essa terapia.

Com informações de G1

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