Lincoln Center oferece concertos gratuitos para pessoas com demência e seus cuidadores em Nova York
O Lincoln Center, em Nova York, oferece concertos gratuitos e oficinas para pessoas com demência e seus cuidadores. A iniciativa conta com artistas internacionais e funcionários treinados para proporcionar acessibilidade e estímulo criativo ao público
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O Lincoln Center, complexo artístico no Upper West Side de Nova York, implementou uma série de concertos gratuitos voltados para pessoas com sintomas de demência e seus cuidadores. A iniciativa surgiu após a instituição notar a interrupção de assinaturas da Filarmônica e da Sociedade de Música de Câmara por parte de frequentadores antigos, cujos familiares haviam sido afetados pela condição. Segundo Miranda Hoffner, diretora de acessibilidade do centro, a medida visa preencher a lacuna de suporte a esse público e oferecer recursos que permitam aos idosos envelhecerem em casa, mesmo em um ambiente urbano caótico.
A programação prioriza a acessibilidade e a descontração, afastando-se da formalidade tradicional da música clássica. Para garantir o acolhimento adequado, os funcionários do centro passaram por treinamento ministrado por uma organização sem fins lucrativos especializada no apoio a cuidadores de pacientes com Alzheimer. As apresentações, realizadas por artistas de nível internacional, são seguidas por oficinas com educadores artísticos e musicoterapeutas, focadas em estimular o engajamento criativo dos participantes.
Um exemplo do impacto dessas atividades é o caso de Rob Kaufman. Aos 73 anos, o ex-professor de matemática e ciências e ex-músico de estúdio — que já colaborou com artistas como Jimi Hendrix — lida com a perda significativa de memória de curto prazo. A condição é resultado de uma lesão cerebral traumática ocorrida no início dos seus 60 anos, após um desmaio que levou ao coma induzido e a um mês de internação em UTI, seguidos por nove semanas de reabilitação e terapia da fala. Para Kaufman e sua esposa, Ellen, a musicoterapia e a frequência aos concertos em Manhattan foram fundamentais para a recuperação e para a reintegração social do paciente.
A demência é um termo amplo para sintomas que prejudicam a vida cotidiana, os movimentos e a memória, sendo a doença de Alzheimer a causa predominante. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 57 milhões de pessoas viviam com a condição em 2021, com o surgimento de aproximadamente 10 milhões de novos casos anualmente. Por ser progressiva e não ter cura, a doença demanda estruturas de suporte adequadas.
Emily Finkelstein, especialista em geriatria do centro médico NewYork-Presbyterian, destaca que a população idosa enfrenta um aumento de doenças crônicas, incluindo a demência. A médica ressalta que, embora existam dados que comprovem a eficácia de terapias baseadas em música, dança e arte para quem possui comprometimento cognitivo, o acesso a esses programas nos Estados Unidos é limitado. A ausência de um programa nacional de saúde e a complexidade do sistema local dificultam a expansão de iniciativas que, apesar de benéficas, permanecem restritas a locais específicos.