Saúde

Lipedema atinge 12% das mulheres e é frequentemente confundido com obesidade ou celulite

22 de Junho de 2026 às 06:06

O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo que afeta cerca de 12% das mulheres, causando acúmulo desproporcional de gordura nos braços e pernas. A condição, ligada a fatores genéticos e hormonais, apresenta diagnóstico clínico e sintomas como dor, inchaço e sensibilidade ao toque. O tratamento envolve abordagem multidisciplinar com dieta, exercícios de baixo impacto, fisioterapia e compressão

Lipedema atinge 12% das mulheres e é frequentemente confundido com obesidade ou celulite
Reprodução

O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo que atinge cerca de 12% das mulheres, manifestando-se pelo acúmulo desproporcional de gordura nos braços e pernas. A condição é frequentemente confundida com celulite ou obesidade, o que retarda o diagnóstico e prolonga o sofrimento das pacientes. A cirurgiã vascular Nathassia Domingues explica que a patologia se caracteriza por uma gordura inflamatória e doente, gerando um padrão desigual de distribuição: enquanto a parte superior do corpo permanece fina, quadris e pernas apresentam volume resistente a exercícios físicos e dietas.

Além da questão estética, a doença provoca sintomas físicos como inchaço, sensação de peso, cansaço, dor e sensibilidade ao toque, sendo comum a ocorrência de hematomas espontâneos. O diagnóstico é exclusivamente clínico, dependendo de profissionais experientes na área, embora a condição ainda seja desconhecida por grande parte da classe médica.

A origem do lipedema está ligada a fatores hormonais e genéticos. Oscilações hormonais típicas da vida feminina, como a menarca, a gravidez e a menopausa, ou tratamentos com influência hormonal, atuam como gatilhos para o agravamento dos sintomas. Em aproximadamente metade dos casos, a doença ocorre associada a varizes, embora nem todas as pacientes apresentem comprometimento vascular.

O controle da patologia e a melhora da qualidade de vida exigem uma abordagem multidisciplinar. A alimentação equilibrada, com a restrição de açúcar, glúten, álcool e ultraprocessados — itens considerados inflamatórios —, é fundamental. No campo da atividade física, recomendam-se exercícios de baixo impacto, a exemplo de natação, hidroginástica e caminhada na água.

Para o alívio do desconforto e da dor, utilizam-se terapias como a fisioterapia com drenagem linfática específica e o uso de leggings ou meias de compressão. Embora a lipoaspiração seja frequentemente solicitada por pacientes que buscam eliminar a gordura para cessar a dor, o tratamento não se resume a uma única solução. Sobre o uso de canetas emagrecedoras, a indicação formal para o lipedema ainda não existe, permanecendo sob estudo.

Devido à carência de informações, há um risco maior de adesão a tratamentos alternativos com promessas rápidas em redes sociais. A recomendação médica é a cautela com soluções milagrosas e a manutenção do acompanhamento especializado, visto que as terapias médicas adequadas minimizam o desconforto e proporcionam a sensação de libertação após o diagnóstico.

Notícias Relacionadas