Lula inicia sessões de radioterapia no couro cabeludo para prevenir recidiva de câncer de pele
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou 15 sessões de radioterapia superficial no couro cabeludo para prevenir a recidiva de um carcinoma basocelular retirado em abril. O tratamento complementar, realizado no Hospital Sírio-Libanês, consiste em sessões de 10 minutos
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou, nesta segunda-feira (25), um ciclo de 15 sessões de radioterapia superficial no couro cabeludo. O procedimento ocorre como tratamento complementar após a retirada de um carcinoma basocelular, realizada em abril. De acordo com o Hospital Sírio-Libanês, a medida tem caráter preventivo e não deve provocar efeitos colaterais significativos nem interferir na rotina diária do presidente, com sessões estimadas em 10 minutos cada.
O carcinoma basocelular é a forma mais comum de câncer de pele não melanoma no Brasil, representando cerca de 80% dos diagnósticos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença se origina nas células basais da camada profunda da epiderme e costuma surgir em áreas expostas ao sol, como rosto, pescoço, orelhas e couro cabeludo. No caso do presidente, a equipe médica confirmou que a lesão era localizada, sem disseminação para outras partes do corpo.
Embora apresente bom prognóstico quando tratado precocemente e raramente provoque metástase, o tumor pode crescer lentamente e destruir tecidos adjacentes, causando deformidades se não for combatido. A dermatologista Cristina Abdala reiterou que esse tipo de carcinoma não se espalha para outros órgãos.
A indicação da radioterapia superficial, que utiliza radiação de baixa profundidade concentrada na pele sem atingir estruturas internas, visa reduzir o risco de recidiva. Wilson José de Almeida Jr, presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), explica que a associação entre cirurgia e radioterapia eleva a chance de cura de 60% para 90%. No couro cabeludo, especificamente, a radioterapia é recomendada devido à dificuldade de realizar a retirada de margens profundas por conta da proximidade com a região óssea.
O tratamento cirúrgico é o padrão para a maioria dos casos, com taxas de cura superiores a 90%. No entanto, a radioterapia é indicada quando a cirurgia não consegue remover margens positivas por limitações anatômicas, em tumores agressivos com invasão óssea, em casos de reincidência após múltiplas operações ou quando a localização da lesão — como lábios, nariz e olhos — poderia causar déficits motores ou danos estéticos graves.
O principal fator de risco para o desenvolvimento da doença é a exposição solar crônica e sem proteção. Indivíduos de pele e olhos claros, pessoas com histórico de queimaduras solares e trabalhadores expostos ao ar livre são os grupos mais vulneráveis. A incidência é maior a partir dos 40 anos, embora a radiação ultravioleta possa antecipar o surgimento. No couro cabeludo, a calvície ou a rarefação capilar aumentam a vulnerabilidade da região.
A identificação precoce é dificultada pelo fato de a doença muitas vezes não causar dor, conforme aponta Bethânia Cavalli, do Ambulatório de Oncologia Cutânea do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE). Os sinais de alerta incluem feridas que não cicatrizam em quatro semanas, crostas persistentes, lesões que coçam ou sangram, manchas descamativas e pequenos nódulos avermelhados ou brilhantes.
Para prevenir novas lesões, especialmente em pacientes que já tiveram a doença, recomenda-se o acompanhamento dermatológico periódico e a proteção solar rigorosa, incluindo o uso de protetores, chapéus, roupas com proteção UV e a evitação do sol entre as 10h e 16h. Em quadros avançados, além da cirurgia e radioterapia, podem ser aplicadas imunoterapias e terapias-alvo.