Saúde

Medicamentos para obesidade e diabetes estão associados a menor mortalidade em mulheres com câncer de mama

15 de Maio de 2026 às 09:07

Estudo nos Estados Unidos com mais de 841 mil pacientes indica que agonistas do receptor de GLP-1 reduzem a mortalidade e a recorrência de câncer de mama. A mortalidade geral foi cerca de 60% menor em cinco e dez anos entre usuárias do fármaco em comparação a pacientes que não utilizaram a medicação

Medicamentos para obesidade e diabetes estão associados a menor mortalidade em mulheres com câncer de mama
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O uso de agonistas do receptor de GLP-1, classe de medicamentos indicada para o tratamento de obesidade e diabetes tipo 2, está associado a uma redução na mortalidade e a menores taxas de recorrência em mulheres com câncer de mama. Os dados, provenientes de um estudo realizado nos Estados Unidos, indicam que a mortalidade por todas as causas foi aproximadamente 60% menor em cinco e dez anos entre as usuárias desses fármacos em comparação a pacientes que não utilizaram a medicação.

A análise abrangeu mais de 841 mil pacientes atendidas em 68 organizações de saúde americanas entre 2006 e 2023. Os resultados foram ainda mais expressivos quando as usuárias de GLP-1 foram comparadas a grupos que utilizavam metformina ou insulina.

Entre as pacientes com obesidade, a sobrevida em cinco anos foi de 97,4% para quem utilizou agonistas de GLP-1, contra 93,2% nas não usuárias. No acompanhamento de dez anos, a taxa de sobrevida foi de 96% para as usuárias e 88,6% para as demais. A análise estatística apontou que o risco de morte foi 65% menor no grupo que utilizou a medicação, mantendo-se a redução mesmo após ajustes técnicos.

Para mulheres com diabetes tipo 2, a sobrevida em cinco e dez anos foi de 96,9% entre as usuárias de GLP-1. Já no grupo tratado com insulina ou metformina, as taxas de sobrevida foram de 82,3% e 76,4%, respectivamente. Quando comparados aos inibidores de SGLT2, outra classe de medicamentos para diabetes, os agonistas de GLP-1 apresentaram desfechos mais favoráveis, embora a diferença entre esses dois grupos tenha sido menos expressiva e sem variação significativa nos índices de recorrência ou mortalidade.

A relação entre obesidade e diabetes com o prognóstico do câncer de mama é negativa, elevando o risco de progressão da doença e reduzindo a sobrevida. A obesidade, especificamente, é responsável por cerca de 40% dos cânceres diagnosticados nos Estados Unidos, impactando 13 tipos diferentes de tumores, incluindo os de mama, esôfago, endométrio e colorretal.

Os autores da pesquisa sugerem que os benefícios dos agonistas de GLP-1 podem ir além do controle glicêmico e da perda de peso. Três vias potenciais são apontadas: a interrupção de alterações metabólicas e celulares causadas pela obesidade que impactam o tumor; a redução da inflamação; e a possibilidade de efeitos diretos na carcinogênese.

Por se tratar de um estudo observacional e retrospectivo, baseado exclusivamente em dados dos Estados Unidos, os achados indicam associações e não causalidade. O trabalho apresenta limitações como a falta de dados sobre a adesão ao tratamento e a perda de peso individual, além de precisão limitada nos dados de dez anos devido ao menor número de pacientes acompanhadas por tanto tempo.

Diante disso, os pesquisadores defendem a realização de ensaios clínicos randomizados e estudos prospectivos para confirmar os efeitos. Caso as associações sejam comprovadas, as descobertas poderão fundamentar orientações clínicas sobre o momento ideal e a personalização do uso de terapias com GLP-1 em pacientes com câncer de mama e doenças metabólicas.

Com informações de G1

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