Saúde

Medicamentos para obesidade podem reduzir a progressão de metástases em pacientes com câncer

08 de Julho de 2026 às 06:06

Estudos apresentados no congresso da ASCO com mais de 12 mil pessoas indicam que análogos de GLP-1 podem reduzir a progressão de metástases, especialmente em cânceres de fígado, colorretal, mama e pulmão. O oncologista Paulo Henrique Costa ressalta que os dados são retrospectivos e demandam novos estudos para confirmação da eficácia

Medicamentos para obesidade podem reduzir a progressão de metástases em pacientes com câncer
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Estudos apresentados no congresso da ASCO indicam que o uso de análogos de GLP-1 — classe de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras — pode reduzir a progressão de metástases em pacientes com câncer. A análise, que envolveu mais de 12 mil pessoas de diversas regiões do mundo com tumores em estágios iniciais e intermediários, comparou o uso de substâncias como semaglutida, tirzepatida, liraglutida, dulaglutida, lixisenatida e pramlintida frente a outros antidiabéticos, como os inibidores de DPP-4.

Os resultados apontam benefícios significativos especialmente em quatro tipos de neoplasias: fígado, colorretal, mama e pulmão de não pequenas células. Em casos de tumores de rim, pâncreas e próstata, houve uma tendência positiva, embora sem significância estatística. A evidência sugere que a medicação contribui para um desfecho oncológico superior, com menor avanço da doença e redução da incidência de metástases, possivelmente devido ao controle da obesidade, fator de risco central.

Além do impacto no peso e na glicose, dados preliminares sugerem que os agonistas de GLP-1 podem atuar diretamente nas células tumorais, interagindo com proteínas e receptores da membrana celular, além de modular a inflamação e o sistema imunológico. Como o câncer se desenvolve em ambientes inflamatórios que propiciam erros de replicação celular, essa ação poderia diminuir tais riscos e melhorar a taxa de sobrevida global dos pacientes.

Apesar do potencial inovador, o oncologista clínico Paulo Henrique Costa, professor da UFMG e médico da Rede Mater Dei, ressalta que as pesquisas atuais são retrospectivas. Por não serem ensaios clínicos randomizados — nos quais grupos de controle e tratamento são divididos para gerar evidências irrefutáveis —, os dados ainda carecem de maior representatividade estatística. As investigações sobre a relação entre essas drogas e o câncer ocorrem há cinco anos e demandam novos estudos para confirmar a eficácia em tipos específicos de tumores.

O especialista alerta que a cautela é fundamental, especialmente diante do mercado paralelo de medicamentos obtidos sem prescrição médica. A recomendação é que a prevenção de doenças e do câncer continue baseada no controle de fatores de risco, como a manutenção de uma dieta adequada e o combate à obesidade, evitando o uso indiscriminado de fármacos.

O evento da ASCO, que reuniu mais de sete mil estudos, também destacou o daraxonrasib. O medicamento é o primeiro a atuar efetivamente contra o câncer de pâncreas ao bloquear a proteína KRAS, responsável pela proliferação de células cancerígenas.

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