Minas Gerais confirma óbito por hantavirose ocorrido em fevereiro deste ano
Autoridades de saúde de Minas Gerais confirmaram, em 11 de maio, que um óbito ocorrido em fevereiro foi causado por hantavirose. A doença é transmitida pela inalação de vírus provenientes de excreções de roedores silvestres
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Autoridades de saúde de Minas Gerais confirmaram, no dia 11 de maio, que um óbito ocorrido em fevereiro deste ano foi provocado por hantavirose. O diagnóstico foi concluído três meses após a morte, evidenciando a dificuldade de detecção da doença, cujos sintomas iniciais se assemelham aos de gripe ou dengue.
A hantavirose é causada por vírus presentes em roedores silvestres, que eliminam o patógeno por meio da urina, fezes e saliva. A infecção ocorre quando as excreções secam em locais fechados — como galpões, depósitos de grãos ou casas de campo abandonadas — e o vírus fica suspenso no ar, sendo inalado por seres humanos. A doença não é transmitida por água, alimentos, picadas de insetos ou contato casual entre pessoas.
O quadro clínico inicia-se após um período de incubação de uma a oito semanas, manifestando-se com febre, dores no corpo e na cabeça, além de náuseas e vômitos. Em poucos dias, a condição pode evoluir para a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, caracterizada por falta de ar, queda de pressão e falência cardíaca e pulmonar. Não há antiviral específico e a vacina disponível na Coreia do Sul não abrange as variantes das Américas. O tratamento consiste em suporte em UTI, com ventilação mecânica e oxigênio.
No Brasil, a letalidade média da doença é de 46,5%, segundo o Ministério da Saúde. No entanto, esse índice é calculado apenas sobre casos confirmados, sugerindo que os números reais sejam superiores, já que o diagnóstico depende de laboratórios especializados e centros de referência.
O primeiro registro da doença no país ocorreu em 1993, em Juquitiba (SP). Entre 2013 e 2023, foram notificados mais de 13 mil casos suspeitos, dos quais 758 foram confirmados, com quase 40% de óbitos. Em alguns estados, a letalidade superou 50%, atingindo 100% no Maranhão. As variantes brasileiras incluem nomes como Araraquara (uma das mais agressivas), Juquitiba, Castelo dos Sonhos, Anajatuba, Laguna Negra, Paranoá e Rio Mamoré. A região Sul concentra o maior volume de casos, enquanto o Centro-Oeste apresenta a maior proporção de mortes.
O perfil de maior risco no Brasil compreende homens entre 20 e 39 anos envolvidos em atividades rurais, como a limpeza de paióis e o manuseio de grãos em áreas com infestação de ratos.
Recentemente, a hantavirose ganhou visibilidade internacional com um surto no navio holandês MV Hondius. A embarcação, que partiu de Ushuaia (Argentina) rumo à Antártida com 147 pessoas, registrou oito passageiros doentes e três mortes. Foi o primeiro caso de surto do vírus em um navio, levando portos europeus, como o de Tenerife, a recusar a entrada da embarcação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o risco para a população geral como baixo.
O surto no navio foi causado pelo vírus Andes, variante que circula na Argentina e no Chile e que, em situações raras e específicas — como entre casais que compartilham a mesma cama ou profissionais de saúde sem proteção —, pode ser transmitida entre humanos. A OMS e autoridades argentinas investigam a hipótese de que o casal holandês infectado inicialmente tenha contraído o vírus durante uma viagem de quatro meses pela América do Sul, possivelmente em uma excursão de observação de aves perto de Ushuaia.
Para prevenir a infecção, a recomendação é arejar portas e janelas de locais fechados por ao menos 30 minutos antes da entrada. A limpeza de pisos deve ser feita com água e água sanitária, evitando a varrição a seco para não levantar poeira contaminada. É fundamental manter alimentos em recipientes fechados, eliminar entulhos e vedar frestas. Profissionais expostos devem utilizar luvas e máscaras PFF2/N95.
A busca por atendimento médico imediato é essencial para quem apresenta febre e dores no corpo após ter visitado zonas rurais ou manuseado depósitos antigos, informando ao profissional sobre a exposição para viabilizar a chegada à UTI em tempo hábil.