Saúde

Ministério da Saúde inclui novo protocolo para tratamento de leishmaniose visceral em pacientes imunocomprometidos

03 de Julho de 2026 às 12:03

O Ministério da Saúde incluiu no SUS um protocolo para leishmaniose visceral em pacientes imunocomprometidos, utilizando miltefosina e anfotericina B lipossomal. A medida, baseada em análise da Conitec, estabelece um prazo de 180 dias para a viabilização da oferta do tratamento

Ministério da Saúde inclui novo protocolo para tratamento de leishmaniose visceral em pacientes imunocomprometidos
Divulgação

O Ministério da Saúde incluiu no Sistema Único de Saúde (SUS) um novo protocolo terapêutico para o tratamento da leishmaniose visceral em pacientes imunocomprometidos, como pessoas transplantadas ou com condições que reduzem a imunidade. A medida, publicada nesta quinta-feira (2) pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), estabelece o uso associado dos medicamentos miltefosina e anfotericina B lipossomal.

A estratégia combina duas substâncias com frentes de ação distintas: a anfotericina B lipossomal atua no dano à estrutura do parasita, enquanto a miltefosina interfere em processos vitais para a sobrevivência do agente infeccioso. Essa associação visa elevar a eficácia do tratamento em pacientes vulneráveis, já que a cura da leishmaniose visceral depende tanto da medicação quanto da resposta imunológica do organismo. Em indivíduos com baixa imunidade, a persistência do parasita é mais comum, elevando os riscos de recaídas e de respostas insuficientes à terapia.

A decisão foi fundamentada em análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que avaliou os benefícios clínicos, as evidências científicas e o impacto da medida na rede pública. A partir da publicação da portaria, as áreas técnicas do ministério possuem um prazo de 180 dias para viabilizar a oferta do tratamento, organizar a distribuição e definir os protocolos de acesso.

Transmitida pela picada do mosquito-palha, a leishmaniose visceral é classificada como uma doença negligenciada por atingir majoritariamente populações em áreas com deficiência de saneamento e controle ambiental. Diferente da variante cutânea, que se manifesta por lesões na pele, a forma visceral compromete a medula óssea, o fígado e o baço. O quadro clínico costuma apresentar febre prolongada, anemia, fraqueza, perda de peso e aumento do volume abdominal. Sem a intervenção adequada, a patologia pode evoluir para estados graves e levar ao óbito.

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