Saúde

Ministério da Saúde suspende aplicação de vacina brasileira contra a dengue após reações severas

11 de Junho de 2026 às 06:33

O Ministério da Saúde suspendeu a aplicação da vacina Butantan-DV após 42 reações severas e dois óbitos em 500 mil doses administradas. O imunizante, indicado para pessoas de 12 a 59 anos, registrou 3.703 notificações de eventos adversos. O governo ainda não confirmou nexo causal entre a vacina e as mortes

Ministério da Saúde suspende aplicação de vacina brasileira contra a dengue após reações severas
Reprodução/EPTV /Governo de São Paulo / Yuri Cortez/AFP

O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da Butantan-DV, primeira vacina brasileira contra a dengue e a única do mundo com dose única. A medida foi tomada após o registro de 42 casos de reações severas em um universo de aproximadamente 500 mil doses aplicadas até 30 de maio. Desse total, 3.703 notificações de eventos adversos foram relatadas, representando 0,7% dos vacinados. Os casos graves correspondem a 0,008% do público imunizado, incluindo três episódios críticos e dois óbitos, embora o governo informe que ainda não há confirmação de nexo causal entre a vacina e as mortes.

A Butantan-DV, que utiliza componentes iniciais desenvolvidos pelo National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos, foi testada em 16 mil voluntários entre 2 e 59 anos. Apesar do estudo, a Anvisa autorizou o uso para a faixa de 12 a 59 anos devido à maior eficácia observada nesse grupo. O imunizante, indicado tanto para quem já teve a doença quanto para quem nunca foi infectado, apresentou eficácia geral de 65% contra a dengue sintomática e de 80,5% contra formas graves após cinco anos de acompanhamento. A proteção foi de 77,1% em pessoas previamente expostas ao vírus e de 58,9% em quem não teve a doença. A vacina é contraindicada para menores de 12 anos, adultos a partir de 60 anos, gestantes, lactantes e pessoas com imunossupressão ou alergias graves aos componentes da fórmula.

No cenário nacional, existem outros dois imunizantes registrados pela Anvisa, mas que não são intercambiáveis, pois possuem indicações e critérios de segurança distintos. A Qdenga, da Takeda, é aprovada para pessoas de 4 a 59 anos, independentemente de histórico prévio de infecção. No Sistema Único de Saúde (SUS), porém, a aplicação é restrita a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, grupo prioritário devido aos altos índices de hospitalização.

Com base no vírus da dengue tipo 2 atenuado e proteínas dos tipos 1, 3 e 4, a Qdenga demonstrou, em dados atualizados de novembro de 2025, eficácia geral de 80,2% após 12 meses da segunda dose, reduzindo as hospitalizações em 90%. A vacina é contraindicada para gestantes, lactantes, imunossuprimidos e pessoas com alergia aos componentes da fórmula.

Já a Dengvaxia, da Sanofi, foi a primeira a ser aprovada no Brasil e permanece disponível apenas na rede privada. Diferente das demais, ela é indicada exclusivamente para pessoas de 9 a 45 anos que comprovem infecção prévia por meio de teste laboratorial ou sorológico. Essa restrição ocorre porque estudos indicaram que indivíduos que nunca tiveram dengue apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença após a vacinação. A Dengvaxia utiliza o vírus da febre amarela como base e previne cerca de 80% dos casos graves ou hospitalizações, mas seu uso tornou-se menos frequente devido à complexidade da exigência de comprovação de infecção anterior.

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