Ministério da Saúde suspende aplicação de vacina contra a dengue após reações adversas graves
O Ministério da Saúde suspendeu, nesta segunda-feira (8), a aplicação da vacina contra a dengue do Instituto Butantan após 42 reações adversas graves e duas mortes suspeitas. Até 30 de maio, 500 mil pessoas foram imunizadas, sendo 417 mil profissionais de saúde. A pasta orienta que vacinados nos últimos 21 dias procurem unidades de saúde para acompanhamento
O Ministério da Saúde suspende, a partir desta segunda-feira (8), a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão, anunciada em coletiva de imprensa com a Anvisa e a direção do instituto, ocorre após o registro de 42 casos de reações adversas graves, incluindo duas mortes suspeitas. A medida é temporária e visa a reavaliação da estratégia vacinal e a análise da relação direta entre o imunizante e os eventos relatados, que não haviam sido identificados nas pesquisas iniciais do Butantan.
Até 30 de maio, 500 mil pessoas foram imunizadas com a vacina, que é a primeira do mundo de dose única e a primeira de tecnologia totalmente brasileira. Desse total, 3.703 pessoas (0,7%) apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue. Entre esses registros, os 42 casos classificados como graves, que representam 0,008% do público vacinado, manifestaram sinais de alarme como sangramentos, vômitos persistentes e dor abdominal intensa.
O grupo de imunizados é composto majoritariamente por profissionais de saúde, somando 417 mil pessoas. Outras 83,6 mil pessoas, na faixa etária entre 15 e 49 anos, receberam a dose em Nova Lima (MG), Maranguape (CE), Botucatu (SP) e na região de Araguaína (TO), localidades onde não houve relato de eventos adversos entre os moradores.
A pasta orienta que qualquer pessoa vacinada nos últimos 21 dias procure uma unidade de saúde local para acompanhamento. A atenção deve se voltar a sintomas como febre, tontura, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação, piora do estado geral, além da dor abdominal contínua, vômitos e sangramentos.
A partir de terça-feira (9), o Ministério da Saúde implementará o monitoramento ativo na rede hospitalar para casos de óbitos, pacientes com sinais de alarme e pessoas com dengue que tenham sido vacinadas recentemente. Esse controle será organizado por território, unidade ou aglomerados de lotes. O órgão reforça que a proteção contra a doença permanece para quem já recebeu a dose.