Saúde

Ministério da Saúde suspende vacina contra a dengue do Butantan após reações adversas inesperadas

09 de Junho de 2026 às 09:34

O Ministério da Saúde suspendeu a vacina contra a dengue do Instituto Butantan após 42 reações adversas, incluindo duas mortes suspeitas. A medida ocorre enquanto Anvisa e governo investigam a causalidade dos eventos, que atingiram 0,008% das 500 mil doses aplicadas

O Ministério da Saúde suspendeu a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após a identificação de 42 casos de reações adversas inesperadas. A medida, anunciada na segunda-feira (08/06), ocorre enquanto o governo, a Anvisa e o próprio instituto investigam a natureza desses eventos, que incluem três casos graves e duas mortes sob suspeita de relação com o imunizante.

Até 30 de maio, foram aplicadas 500 mil doses da vacina, que começou a ser distribuída em janeiro deste ano. O público-alvo compreendia profissionais da Atenção Primária à Saúde e moradores de 15 a 49 anos em Nova Lima (MG), Botucatu (SP), Maranguape (CE) e na região de Araguaína (TO). As reações relatadas — dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos — não constam na bula do medicamento nem foram detectadas durante os estudos clínicos.

De acordo com o Ministério da Saúde, as ocorrências representam 0,008% do total de doses aplicadas. O órgão ressaltou que as duas mortes registradas não ocorreram nas cidades ou regiões onde a vacinação foi ampliada para a população geral. A suspensão é tratada como uma ação de precaução para permitir que a Anvisa, por meio de um painel de especialistas, realize uma investigação epidemiológica aprofundada. O objetivo é verificar a causalidade entre a vacina e os óbitos, analisando possíveis comorbidades, fatores de risco e as condições de armazenamento, transporte e aplicação das doses, embora não haja indícios iniciais de falhas nesses processos.

O imunizante do Butantan foi desenvolvido ao longo de 20 anos, com tecnologia licenciada ao Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Antes da incorporação ao SUS, a vacina passou por todas as etapas regulatórias, incluindo estudos de fase 1, 2 e 3 com mais de 11 mil voluntários acompanhados por cinco anos. Os resultados indicaram eficácia geral de 65% contra a dengue e de 80,5% na prevenção de casos graves.

As doses já distribuídas aos postos de saúde não serão descartadas, permanecendo armazenadas na rede de frio até a conclusão das análises. Não há, no momento, um prazo definido para a retomada da vacinação.

Para quem já recebeu a dose, a orientação é monitorar a saúde por 21 dias. A busca por atendimento médico imediato é recomendada em caso de febre, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação, piora do estado geral ou os sintomas já relatados nos casos adversos. O Ministério da Saúde assegura que os vacinados permanecem protegidos contra os quatro tipos de dengue.

Paralelamente, o SUS mantém a oferta da vacina Qdenga, produzida pela Takeda, para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Desde 2024, cerca de 8 milhões de doses desse imunizante já foram aplicadas no país.

A medida ocorre em um cenário de redução dos índices da doença no Brasil. Até 30 de maio, o governo registrou uma queda de 94% nos casos prováveis e de 97% nas mortes por dengue em comparação ao ano anterior.

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