Saúde

Mortes infantis por afogamento voltam a subir nos Estados Unidos após a pandemia de Covid-19

07 de Julho de 2026 às 06:08

O afogamento é a principal causa de morte de crianças de 1 a 4 anos nos Estados Unidos. Entre 2019 e 2024, os óbitos infantis subiram de 756 para 865 casos. A Academia Americana de Pediatria recomenda a supervisão ativa de adultos, barreiras físicas e aulas de natação

Mortes infantis por afogamento voltam a subir nos Estados Unidos após a pandemia de Covid-19
AP/Mary Altaffer, Arquivo

O afogamento infantil ocorre, frequentemente, de forma silenciosa e rápida, divergindo da imagem comum de gritos ou agitação. Devido a essa característica, a vigilância ativa de um adulto é a medida de proteção mais eficaz. De acordo com Rohit Shenoi, médico e autor de um alerta da Academia Americana de Pediatria (AAP), a agilidade no resgate e o início imediato da reanimação são determinantes para a sobrevivência e para a redução de sequelas permanentes.

Nos Estados Unidos, as estatísticas anuais indicam entre 4 mil e 5 mil mortes por afogamento. Embora a maioria dos casos envolva adultos em rios, lagos e oceanos, o risco é proporcionalmente maior para o público infantil. O afogamento é a principal causa de óbito na faixa etária de 1 a 4 anos e figura entre as principais causas para crianças de 5 a 14 anos.

Em piscinas, os acidentes com crianças pequenas muitas vezes ocorrem mesmo com a presença de adultos, devido a uma falsa percepção de vigilância. Um exemplo ocorreu em 1989, na ilha de São Martinho, no Caribe, quando Stewie Leonard, de 21 meses, morreu afogado durante a festa de aniversário da irmã. Na ocasião, diversos familiares estavam ao redor da piscina, mas a falta de uma comunicação clara sobre quem supervisionava a criança resultou na tragédia. O episódio levou o pai, Stew Leonard, e a mãe, Kim, a fundarem uma instituição dedicada a campanhas de segurança e ao financiamento de aulas de natação.

Historicamente, as mortes acidentais de crianças por afogamento nos EUA apresentaram queda, saindo de aproximadamente 2 mil casos anuais na década de 1980 para menos de mil no início dos anos 2000. Entre 2000 e 2019, a redução foi de 38%, resultado de cercas em piscinas, maior acesso ao ensino de natação e conscientização. Contudo, esse cenário foi revertido após a pandemia de Covid-19: o número de óbitos subiu de 756 em 2019 para 865 em 2024. Esse aumento é atribuído à interrupção de cursos de natação, à pausa na formação de salva-vidas e ao uso de piscinas sem a supervisão adequada.

A Academia Americana de Pediatria recomenda a implementação de múltiplas camadas de segurança, que incluem o uso de coletes salva-vidas, barreiras físicas com portões de fechamento automático, aulas de natação adequadas à idade e a supervisão contínua. Dispositivos tecnológicos, como pulseiras de alerta ao submergir, devem ser considerados apenas complementares, nunca substituindo a presença do responsável.

Para garantir a eficácia da observação, a orientação é que um adulto seja designado especificamente para a tarefa, eliminando distrações como o uso de celulares, leitura ou conversas paralelas. Stew Leonard reforça que, embora existam diversas atividades extracurriculares para crianças, o aprendizado da natação deve ser priorizado como a única habilidade capaz de salvar vidas em situações de risco aquático.

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