Mulheres são as mais afetadas pelo Alzheimer devido a fatores hormonais na menopausa
A doença de Alzheimer se diferencia de lapsos comuns pela perda progressiva de funções cognitivas e autonomia. A patologia afeta majoritariamente mulheres, com influência da queda do estrogênio na menopausa. Há prevenção via hábitos saudáveis e a previsão de chegada de exames de sangue diagnósticos ao Brasil
A perda de memória persistente e a piora progressiva das funções cognitivas são os principais indicadores que diferenciam lapsos cotidianos, como esquecer chaves ou nomes, de quadros neurodegenerativos. Enquanto esquecimentos comuns são recuperados rapidamente, a doença de Alzheimer compromete a autonomia e interfere diretamente nas atividades diárias, exigindo investigação médica imediata quando há declínio gradual ao longo dos meses.
Sinais de alerta e progressão
O Alzheimer caracteriza-se por danos cerebrais que se iniciam anos antes da manifestação dos sintomas evidentes. A atenção deve ser redobrada diante de comportamentos como:
- Dificuldade em executar tarefas anteriormente simples;
- Repetição de esquecimentos de informações relevantes;
- Não reconhecimento de pessoas próximas;
- Comprometimento da fala, com dificuldade em encontrar palavras ou sustentar diálogos;
- Perda de independência nas rotinas diárias.
Impacto hormonal e incidência feminina
A compreensão do Alzheimer evoluiu para além da associação exclusiva com a velhice, com evidências de que o processo patológico pode começar na meia-idade. As mulheres são as mais afetadas, representando duas em cada três pessoas com a doença.
Essa disparidade não decorre apenas da maior longevidade feminina, mas está ligada a fatores hormonais. A queda do estrogênio durante a transição para a menopausa — que pode ocorrer por volta dos 50 anos, ou até aos 45 — impacta a saúde cerebral. O hormônio é fundamental para o fornecimento de energia ao cérebro, regulação do fluxo sanguíneo, redução de inflamações e pleno funcionamento dos neurônios.
Prevenção e diagnóstico precoce
Apesar de não haver cura, a preservação da saúde cerebral e a redução de riscos estão ligadas a hábitos de vida específicos:
- Prática regular de exercícios físicos;
- Dieta equilibrada, com restrição de açúcar e ultraprocessados;
- Controle do estresse e qualidade do sono;
- Abstenção do tabagismo e redução do consumo de álcool.
Para mulheres, a reposição hormonal na menopausa pode ser uma alternativa, desde que haja indicação e acompanhamento médico.
No campo do diagnóstico, exames de sangue capazes de detectar alterações cerebrais antes dos sintomas surgirem já foram aprovados nos Estados Unidos e devem chegar ao Brasil nos próximos anos. O objetivo dessas inovações é incentivar o cuidado preventivo desde a meia-idade, evitando o alarmismo e focando na manutenção da saúde cognitiva.