Saúde

Música dos Bee Gees é utilizada como referência para manter o ritmo da massagem cardíaca

30 de Junho de 2026 às 12:23

O protocolo de parada cardiorrespiratória consiste em ligar para o 192 e realizar compressões torácicas de 5 centímetros de profundidade, em ritmo de 100 a 120 movimentos por minuto. A manobra mantém a circulação sanguínea até o socorro especializado ou o uso de um Desfibrilador Externo Automático

A agilidade no reconhecimento e no atendimento inicial de uma parada cardiorrespiratória é determinante para a sobrevivência da vítima, pois a interrupção do bombeamento sanguíneo interrompe a oxigenação do cérebro, podendo causar lesões irreversíveis em poucos minutos. A massagem cardíaca atua como uma bomba mecânica temporária, mantendo a circulação mínima até a chegada de socorro especializado ou a retomada dos batimentos cardíacos.

Para identificar a emergência, deve-se observar se a pessoa perdeu a consciência, parou de responder a chamados e apresenta alteração na respiração. Embora profissionais de saúde verifiquem o pulso na artéria carótida, no pescoço, essa checagem é complexa para leigos. Nesses casos, a recomendação é não hesitar: diante da dúvida, deve-se iniciar as compressões torácicas, pois o procedimento não oferece risco a quem não está em parada cardíaca.

O protocolo imediato consiste em ligar para o Samu pelo telefone 192 e posicionar a vítima de costas em uma superfície firme. Com os braços esticados e as mãos sobrepostas no centro do tórax, devem ser realizadas compressões de aproximadamente 5 centímetros de profundidade. É fundamental que o tórax retorne totalmente à posição original entre cada movimento. O ritmo ideal, estabelecido por diretrizes internacionais de reanimação cardiopulmonar (RCP), varia entre 100 e 120 compressões por minuto.

Para auxiliar na manutenção dessa frequência, cursos de primeiros socorros em diversos países utilizam a música "Stayin' Alive", dos Bee Gees, como referência. Com cerca de 103 batidas por minuto, a canção serve como um metrônomo mental para evitar que as compressões sejam lentas demais, reduzindo a circulação, ou excessivamente rápidas, o que comprometeria a eficácia da manobra.

A importância desse preparo foi evidenciada em um caso em Goiânia, onde uma médica do Samu orientou, via telefone e videochamada, a massagem cardíaca em um torcedor de 60 anos que sofreu parada cardiorrespiratória em uma padaria durante a Copa do Mundo. Apesar de o homem não ter resistido, a reanimação imediata é a melhor estratégia para preservar órgãos e o cérebro.

Além das compressões, o uso do Desfibrilador Externo Automático (DEA) — disponível em shoppings, aeroportos, estádios e academias — é essencial. O aparelho identifica a necessidade de choque elétrico e orienta o socorrista por comandos de voz.

A capacidade de agir rapidamente fora do ambiente hospitalar é crucial, especialmente em grandes eventos esportivos. Um estudo do New England Journal of Medicine indicou que, durante os jogos da seleção alemã na Copa de 2006, o risco de emergências cardiovasculares foi 2,66 vezes maior que o normal, principalmente em pessoas com doença coronariana, devido ao estresse emocional que pode gatilhar arritmias e infartos.

Para outras situações de emergência, as condutas variam. Em casos de engasgo com obstrução grave, aplica-se a manobra de Heimlich, com compressões acima do umbigo, para dentro e para cima. Em convulsões, a orientação é proteger a cabeça da vítima e afastar objetos próximos, sem colocar nada em sua boca. Já em queimaduras, deve-se utilizar apenas água corrente, evitando a aplicação de substâncias como manteiga, café ou pasta de dente.

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