Saúde

Novos medicamentos para alopecia areata possuem alto custo e não estão disponíveis no SUS

10 de Julho de 2026 às 06:10

A alopecia areata é uma doença autoimune que afeta 2% da população e pode se manifestar de forma focal, total ou universal. O diagnóstico é clínico e o tratamento varia entre corticoides e inibidores de JAK, embora o alto custo destas últimas limite o acesso

Novos medicamentos para alopecia areata possuem alto custo e não estão disponíveis no SUS
reprodução redes sociais

A alopecia areata é uma doença autoimune crônica e imprevisível que atinge cerca de 2% da população, o que representa aproximadamente uma em cada 50 pessoas. A condição ocorre quando o sistema imunológico ataca o folículo piloso, interrompendo temporariamente a produção dos fios sem, contudo, destruir a raiz. Por não haver formação de cicatrizes, existe a possibilidade de recuperação total do cabelo em diversos casos.

A imprevisibilidade da doença é exemplificada pelo relato da personal trainer Karina Lucco. Após meses de melhora, ela apresentou novas falhas no couro cabeludo em poucos dias, confirmando a característica de reativação da patologia, mesmo durante o tratamento.

A alopecia areata pode se manifestar de três formas: por meio de pequenas falhas arredondadas, na forma total, com a perda de todo o cabelo da cabeça, ou universal, quando a queda atinge os pelos de todo o corpo, incluindo cílios e sobrancelhas. As áreas afetadas geralmente apresentam a pele lisa, sem descamação ou vermelhidão.

A causa da doença resulta da combinação de predisposição genética e gatilhos ambientais, como traumas locais, infecções e, em alguns casos, episódios de estresse emocional — embora este último não seja a causa primária, mas apenas um desencadeador. Há também associações com quadros atópicos, como asma e rinite, e outras doenças autoimunes, a exemplo de diabetes tipo 1, vitiligo e tireoidite.

O diagnóstico é clínico, realizado via avaliação do couro cabeludo e tricoscopia, exame que identifica pontos pretos, amarelos e pelos em "ponto de exclamação". A biópsia é reservada para casos de dúvida diagnóstica. É fundamental diferenciar a alopecia areata de outras condições, como a tricotilomania ou o eflúvio telógeno (queda difusa aumentada), que possuem causas e tratamentos distintos.

A incidência pode ocorrer em qualquer idade, mas casos infantis exigem atenção redobrada. Cerca de 20% dos quadros começam na infância; quando a doença surge antes dos 6 ou 12 anos, há maior probabilidade de evolução para as formas mais extensas.

Quanto ao tratamento, casos leves são manejados com infiltrações ou corticoides tópicos. Para quadros graves e resistentes, os inibidores de JAK, como o ritlecitinibe e o baricitinibe, representam os avanços mais recentes. Essas terapias bloqueiam a sinalização do ataque imunológico ao folículo, embora exijam monitoramento laboratorial por serem imunossupressores e não oferecerem cura definitiva.

Apesar da eficácia, o acesso a essas medicações modernas é limitado pelo alto custo, estimado em R$ 1.800 mensais, e pela ausência de políticas públicas. O Ministério da Saúde informou que ainda não há demanda para que a Conitec analise a incorporação do ritlecitinibe ao SUS, o que leva pacientes a buscarem a via judicial para garantir o tratamento.

O impacto da doença extrapola a estética, afetando severamente a saúde mental, a identidade visual e a autoestima. O suporte psicológico é considerado essencial, dado que pacientes podem desenvolver depressão grave e ansiedade, além de crianças frequentemente enfrentarem bullying escolar. O caso de Maria Eduarda Miranda ilustra essa gravidade: após perder todo o cabelo e cílios aos 9 anos, a menina precisou de acompanhamento psicológico por três anos e uso de antidepressivos, vindo a recuperar os fios somente após iniciar o uso do ritlecitinibe em agosto de 2024.

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