OMS alerta para possibilidade de novos casos de hantavírus após evacuação de cruzeiro em Tenerife
A OMS monitora possíveis novos casos de hantavírus após a evacuação de mais de 120 pessoas do cruzeiro Hondius em Tenerife. A embarcação registrou sete casos confirmados, um provável e três mortes pela cepa Andes, transmissível entre humanos. O acompanhamento dos expostos deve ocorrer até 21 de junho
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para a possibilidade de novos casos de hantavírus após a repatriação de passageiros e tripulantes do cruzeiro Hondius. O diretor da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o trabalho de monitoramento continua, especialmente devido ao longo período de incubação do vírus. Embora não existam indícios de um surto de maior magnitude, a situação permanece sob observação.
A operação de evacuação foi concluída na noite de segunda-feira, no porto de Granadilla, na ilha de Tenerife, resultando na retirada de mais de 120 pessoas vindas de aproximadamente 20 países. O navio, que iniciou sua jornada em 1º de abril, partindo de Ushuaia, na Argentina, segue agora com tripulação reduzida rumo à sua base nos Países Baixos, com chegada prevista para este fim de semana.
Até o momento, foram registrados sete casos confirmados e um provável de hantavírus entre os cerca de 150 ocupantes da embarcação, com três óbitos contabilizados. Entre os evacuados em Tenerife, três testaram positivo: um cidadão espanhol, um americano e uma francesa. No caso do passageiro espanhol, o Ministério da Saúde informou que ele apresenta febre e sintomas respiratórios leves, mas permanece estável em um hospital militar em Madri, onde outros 13 espanhóis realizaram testes que resultaram em negativo.
A cepa identificada no navio é a Andes, uma variante do hantavírus que permite a transmissão entre seres humanos, diferindo do modo comum de contágio, que ocorre via urina, fezes e saliva de roedores infectados. A doença é contagiosa, pouco frequente e não possui vacina.
Para mitigar riscos, a OMS recomenda que as pessoas expostas passem por acompanhamento ativo, seja em domicílio ou em centros de quarentena, por 42 dias após o último contato, ocorrido em 10 de maio. O prazo de monitoramento estende-se, portanto, até 21 de junho. Tedros Adhanom Ghebreyesus ressaltou que, embora a organização possua diretrizes claras, a adoção desses protocolos depende da soberania de cada país. Diante desse cenário, a França solicitou que a União Europeia estabeleça uma coordenação mais estreita entre as normas de saúde.
A decisão da Espanha de acolher o navio em Tenerife ocorreu apesar da oposição do governo regional, que temia riscos à população local e sugeria que a operação fosse realizada em Cabo Verde ou que a embarcação seguisse diretamente para os Países Baixos. O presidente espanhol, Pedro Sánchez, defendeu a medida como um ato de solidariedade. Já a direção da OMS minimizou o perigo, classificando o risco como baixo tanto para os habitantes de Tenerife quanto para a população global.