Saúde

OMS alerta sobre a rápida expansão global de sachês de nicotina entre jovens e adolescentes

15 de Maio de 2026 às 09:06

A Organização Mundial da Saúde alertou sobre a expansão global dos sachês de nicotina, cujas vendas atingiram 23,4 bilhões de unidades em 2024. O relatório aponta o uso de marketing digital e sabores para atrair jovens, com movimentação financeira de quase R$ 39 bilhões prevista para 2025

OMS alerta sobre a rápida expansão global de sachês de nicotina entre jovens e adolescentes
Abvrockgroup/Divulgação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, nesta sexta-feira (15), sobre a rápida expansão global dos sachês de nicotina, conhecidos como *nicotine pouches*. O aviso, detalhado em relatório divulgado antes do Dia Mundial Sem Tabaco (31 de maio), aponta que a indústria utiliza sabores doces, influenciadores digitais, eventos esportivos e campanhas em redes sociais para atrair jovens e adolescentes.

O mercado desses produtos, que são pequenos sachês inseridos entre a gengiva e o lábio para a liberação de nicotina via mucosa oral, apresentou crescimento acelerado. Em 2024, as vendas mundiais superaram 23,4 bilhões de unidades, um aumento de 50,5% em relação ao ano anterior. Para 2025, a movimentação financeira global do setor atingiu quase R$ 39 bilhões (US$ 7 bilhões).

A OMS destaca que a comercialização desses itens como produtos "modernos", "discretos" e "livres de tabaco" gera uma percepção equivocada de segurança para pais, jovens e gestores públicos, embora muitos desses sachês utilizem nicotina derivada do tabaco. A substância é altamente viciante, podendo prejudicar o desenvolvimento cerebral de crianças e adolescentes, além de elevar riscos cardiovasculares. A exposição precoce amplia a probabilidade de dependência prolongada e do uso combinado de outros derivados do tabaco.

Para ampliar a aceitação entre o público jovem, as empresas investem em embalagens coloridas, design sofisticado e sabores que imitam doces ou bebidas, como "bubble gum", "gummy bears", "Cherry Punch", "Frosted Apple" e coquetéis alcoólicos. O relatório indica que alguns produtos possuem concentrações elevadas de nicotina, chegando a 120 mg, o que torna a ingestão acidental por crianças potencialmente letal. Nos Estados Unidos, cerca de 70% dos casos de intoxicação registrados em centros especializados envolveram crianças com menos de 5 anos.

A estratégia de marketing inclui a contratação de influenciadores e patrocínios de grande visibilidade. Em 2021, uma multinacional do tabaco remunerou 77 influenciadores para promover os sachês para um público potencial de 537 milhões de pessoas, muitas vezes sem sinalizar que se tratava de publicidade. No âmbito esportivo, duas gigantes do setor investiram aproximadamente R$ 222 milhões (US$ 40 milhões) em patrocínios da Fórmula 1 em 2022.

A narrativa de consumo "discreto", reforçada por slogans como “Anytime, anywhere” (“A qualquer hora, em qualquer lugar”) e “No smoke, no vapour” (“Sem fumaça, sem vapor”), facilita o uso em locais onde fumar é proibido e dificulta a fiscalização por parte de professores e responsáveis.

O impacto desse cenário é evidente nos Estados Unidos, onde o consumo de sachês de nicotina entre jovens adultos e adolescentes quase quadruplicou entre 2022 e 2025. Entre estudantes do ensino fundamental e médio, o produto saltou da sexta para a segunda posição de preferência entre itens de tabaco e nicotina entre 2023 e 2024. Em 2024, o número de adolescentes americanos usuários chegou a 480 mil, 80 mil a mais que no ano anterior.

Diante da ausência de normas específicas em diversos países, a OMS recomenda que governos implementem medidas rigorosas, como a proibição de sabores, veto ao marketing digital, restrição de venda para menores, limitação da concentração de nicotina, advertências nas embalagens e fiscalização de patrocínios. Atualmente, 16 países proíbem a venda e 32 possuem algum nível de regulação.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia se mantém a proibição vigente ou se estabelece uma regulamentação própria. Apesar do veto, os produtos continuam a circular via comércio informal, aplicativos de mensagem e redes sociais.

Com informações de G1

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