OMS classifica surto de Ebola como emergência de saúde pública de interesse internacional
A OMS classificou o surto da cepa Bundibugyo do Ebola como emergência de saúde pública internacional, com 220 mortes suspeitas. A doença atingiu a República Democrática do Congo e o Uganda, onde há sete casos confirmados. No Congo, ataques a unidades de saúde e a proibição de velórios marcam a tentativa de contenção do vírus
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto da cepa Bundibugyo do Ebola como uma emergência de saúde pública de interesse internacional. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reportou 220 mortes suspeitas e alertou que o cenário tende a se agravar antes de apresentar melhoras, indicando que as equipes de resposta operam com atraso. Para acompanhar a situação, Tedros viaja ao Congo nesta terça-feira.
A crise sanitária se expande para além da República Democrática do Congo, com o Uganda registrando dois novos casos nesta segunda-feira, totalizando sete confirmações no país.
No leste do Congo, a contenção da doença enfrenta forte resistência local. Na noite de domingo (24), jovens invadiram o Hospital Geral de Mongbwalu e dispararam tiros na região, forçando a evacuação imediata de pacientes. De acordo com o diretor médico da unidade, Richard Lokudu, a ação foi motivada pela exigência de liberação dos corpos de dois parentes. Este foi o terceiro ataque a instalações de saúde em menos de uma semana.
A instabilidade também atingiu a cidade de Rwampara na quinta-feira (21), onde um centro de tratamento foi incendiado após a negativa de entrega do corpo de um homem com suspeita de Ebola a seus familiares. No sábado (23), moradores de Mongbwalu queimaram uma tenda de atendimento dos Médicos Sem Fronteiras, resultando no desaparecimento de 18 pessoas que estavam sob observação ou tratamento no local.
Para mitigar a propagação do vírus, o governo congolês proibiu, na sexta-feira (22), a realização de velórios e aglomerações com mais de 50 pessoas no nordeste do país. A medida baseia-se no risco de transmissão, já que os corpos das vítimas permanecem altamente contagiosos. Por essa razão, as autoridades sanitárias determinaram que os sepultamentos de suspeitos sejam realizados preferencialmente por equipes oficiais.