Saúde

OMS declara surto de Ebola na República Democrática do Congo como emergência de saúde internacional

22 de Maio de 2026 às 06:18

A OMS declarou, em 17 de maio de 2026, que o surto da cepa Bundibugyo de Ebola na República Democrática do Congo é uma emergência de saúde pública internacional. Até 19 de maio, o país registrava 134 mortes e 34 casos confirmados, enquanto Uganda contabilizou dois casos e um óbito. Não existem vacinas ou terapias específicas para essa variante do vírus

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, em 17 de maio de 2026, que o surto de Ebola na República Democrática do Congo constitui uma emergência de saúde pública de preocupação internacional. A crise teve início em 15 de maio, na província de Ituri, no nordeste do país, sendo causada pela espécie Bundibugyo. A rapidez da propagação ficou evidente quando, em apenas 48 horas, dois casos confirmados e sem ligação entre si foram detectados em Kampala, Uganda, em indivíduos que haviam viajado a partir do Congo.

Até 19 de maio, o balanço epidemiológico na República Democrática do Congo registrava 134 mortes, 34 casos confirmados, 105 prováveis e 536 suspeitos. No Uganda, foram contabilizados dois casos confirmados e um óbito. A gravidade do cenário é acentuada pela inexistência de imunizantes ou terapias específicas para a cepa Bundibugyo, diferentemente do que ocorre com a variante Ebola-Zaire, que possui vacinas aprovadas. Atualmente, o manejo médico limita-se ao tratamento de suporte, com foco na hidratação, controle de hemorragias e alívio sintomático, já que não há fármacos capazes de eliminar o vírus.

O vírus Bundibugyo foi identificado originalmente em 2007, no distrito de Bundibugyo, em Uganda, onde causou 131 casos e 42 mortes, com letalidade de 32%. O episódio atual é o terceiro surto documentado desta cepa, após ocorrências em Uganda (2007-2008) e na República Democrática do Congo (2012).

A transmissão do Ebola ocorre por meio do contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas — como sangue, fezes, vômito e secreções — ou pelo contato com animais mortos pela doença. Por não ser transmitido via aérea ou por gotículas, a propagação é mais lenta do que a de patologias como a Covid-19 ou o sarampo. Os sintomas iniciais incluem febre alta súbita, dores musculares intensas e problemas gastrointestinais. Em quadros graves, surgem sinais hemorrágicos, como choque, hipotensão, queda de plaquetas e sangramentos nas mucosas e no trato gastrointestinal. O período de incubação varia de 2 a 21 dias, com média entre 5 e 10 dias, intervalo no qual o indivíduo ainda não transmite a doença.

Quanto ao risco para o Brasil, a avaliação é de que a probabilidade de chegada do vírus é baixa, embora a vigilância seja necessária. A OMS classifica como baixo o risco de transmissão para nações que não fazem fronteira com a região afetada. O país possui protocolos de resposta coordenados pelo Ministério da Saúde, que incluem a vigilância em portos e aeroportos, critérios de classificação de casos suspeitos e fluxos de confirmação laboratorial.

A experiência brasileira com doenças hemorrágicas, como a febre amarela e a dengue grave, fornece a base clínica necessária para que profissionais de saúde manejem os sintomas da doença. Historicamente, o sistema de saúde demonstrou eficiência no isolamento de casos importados, como ocorreu em 2014, durante a epidemia na Libéria, Guiné e Serra Leoa, quando um caso suspeito foi identificado e isolado no Brasil, embora posteriormente não tenha sido confirmado como Ebola.

A resposta global a emergências sanitárias é considerada mais robusta após a pandemia de Covid-19. No entanto, as mudanças climáticas são apontadas como um fator que dificulta o controle de surtos infecciosos, ao alterar a circulação de reservatórios de vírus e vetores. Para a contenção de possíveis casos importados, as diretrizes focam no isolamento rigoroso, uso de equipamentos de proteção individual e leitos com precauções adequadas. A orientação é que pacientes vindos da República Democrática do Congo com febre sejam tratados como alerta imediato e que pessoas que transitaram por áreas com casos ativos se isolem ao surgirem os primeiros sintomas.

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