Saúde

OMS eleva para muito alto o nível de risco de epidemia de Ebola no Congo

25 de Maio de 2026 às 06:14

A OMS elevou para "muito alto" o risco da epidemia de Ebola na República Democrática do Congo. Há 101 casos confirmados, mais de 900 suspeitos e 176 mortes prováveis do vírus Bundibugyo, que não possui vacina. O surto começou em 15 de maio e registrou casos em Kampala, Uganda

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou para "muito alto" o nível de risco da epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) na última sexta-feira (22). A medida ocorre após a agência declarar, em 17 de maio de 2026, que o surto representa uma emergência de saúde pública de preocupação internacional.

O cenário epidemiológico atual envolve o monitoramento de mais de 900 casos suspeitos, dos quais 101 já foram confirmados, conforme dados do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom. Paralelamente, um relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), emitido em 22 de maio, contabiliza 176 mortes suspeitas.

O surto teve início em 15 de maio, na RDC, e apresentou rápida disseminação: em apenas 48 horas, foram detectados outros dois casos em Kampala, Uganda, sem vínculo aparente entre os pacientes. A gravidade da situação é intensificada pela natureza do vírus Bundibugyo, para o qual não existem vacinas ou terapias específicas, diferindo das cepas Ebola-Zaire, que possuem imunizantes aprovados.

A transmissão ocorre exclusivamente por contato direto e significativo com fluidos corporais de indivíduos infectados — como sangue, vômito, fezes e secreções — ou através do contato com animais mortos pela enfermidade. Por não haver transmissão à distância, a dinâmica de contágio diverge de doenças respiratórias, a exemplo da Covid-19 e do sarampo.

O período de incubação do vírus varia de 2 a 21 dias, com média entre 5 e 10 dias, intervalo no qual o paciente ainda não transmite a doença. Os sintomas iniciais manifestam-se por febre alta súbita, dores musculares intensas e problemas gastrointestinais. Em quadros graves, a patologia evolui para sinais hemorrágicos, incluindo choque, hipotensão, queda de plaquetas e sangramentos no trato gastrointestinal e mucosas, apresentando semelhanças clínicas aos casos graves de dengue.

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