Saúde

Paciente com câncer de pâncreas apresenta remissão após tratamento com ablação por radiofrequência

17 de Junho de 2026 às 09:05

Edgard de Luna, de 50 anos, apresenta remissão de um adenocarcinoma de pâncreas após quimioterapia, pancreatoduodenectomia e ablação por radiofrequência. O caso, conduzido por médicos da USP, tornou-se objeto de estudo científico devido ao desfecho atípico

Paciente com câncer de pâncreas apresenta remissão após tratamento com ablação por radiofrequência
Arquivo Pessoal

Um paciente de 50 anos, Edgard de Luna, apresenta remissão de um adenocarcinoma de pâncreas após oito anos de acompanhamento, tornando-se objeto de estudo para publicações científicas e congressos médicos devido à complexidade do caso e ao desfecho atípico.

O diagnóstico ocorreu aos 42 anos, após meses de sintomas gástricos confundidos com verminose e gastrite, e dores nas costas inicialmente atribuídas a contrações musculares. A detecção definitiva aconteceu quando a pressão do tumor sobre a artéria mesentérica causou sintomas que levaram a uma tomografia com contraste, permitindo a identificação da doença antes de atingir o estágio IV.

O adenocarcinoma de pâncreas é caracterizado por ser um dos tumores com pior prognóstico, pois a localização do órgão no abdômen dificulta a detecção precoce. Em casos avançados, a taxa de sobrevida em cinco anos é inferior a 10%, enquanto em diagnósticos precoces com cirurgia, varia entre 30% e 50%.

No caso de Edgard, o tumor era classificado como "borderline" para ressecabilidade, dada a proximidade com uma artéria. A estratégia terapêutica consistiu em 12 sessões de quimioterapia neoadjuvante para reduzir a massa tumoral. Após a redução, o paciente foi submetido a uma pancreatoduodenectomia, cirurgia complexa de nove horas que removeu o pâncreas e a alça do intestino delgado adjacente.

Um mês após a operação, a persistência de níveis elevados do marcador tumoral CA 19-9 levou a a realização de um PET scan, que revelou uma lesão de aproximadamente 1,3 centímetro em região próxima à cirurgia. Devido ao estado debilitado do organismo pós-operatório, a quimioterapia convencional foi descartada.

A oncologista Jamile Almeida e o radiologista intervencionista Ricardo Freitas, da Faculdade de Medicina da USP, optaram pela ablação por radiofrequência. O procedimento consistiu na inserção de uma agulha guiada por tomografia que, por meio de vibrações de alta frequência, gerou calor para desvitalizar as células tumorais. O tecido doente foi coagulado e posteriormente absorvido pelo organismo.

Embora os resultados sejam promissores, a ablação por radiofrequência não é um tratamento padrão para o câncer de pâncreas. Segundo a oncologista, a técnica exige critérios rigorosos de seleção, como a presença de lesão única, localização acessível e detecção precoce. Uma revisão publicada no World Journal of Gastrointestinal Oncology indica que a ausência de ensaios clínicos randomizados em larga escala limita a generalização do método.

Atualmente, Edgard não apresenta doença detectável. Ele mantém acompanhamento regular e faz uso de enzima digestiva para o pâncreas, além de apresentar neuropatia leve nas extremidades, sequela da quimioterapia. O caso segue sendo documentado, embora a medicina ainda não tenha identificado alterações moleculares específicas que expliquem a resposta excepcional ao tratamento.

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