Paciente do País de Gales teve 38 parasitas no cérebro após viagem para a Índia
Lowri Denman, residente do País de Gales, teve 38 parasitas no cérebro devido à neurocisticercose, contraída provavelmente em viagem à Índia. A paciente enfrentou convulsões, problemas psiquiátricos e perda de emprego, recuperando-se totalmente em 2022. Atualmente, ela utiliza medicação contra a epilepsia permanentemente
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A neurocisticercose, forma grave de infecção causada por larvas da tênia do porco (Taenia solium), levou Lowri Denman, residente do País de Gales, a enfrentar anos de complicações neurológicas e psiquiátricas. O caso, considerado único pelo médico Brendan Healy, especialista em microbiologia e doenças infecciosas, envolveu a presença de 38 parasitas no cérebro da paciente.
Origem e progressão da infecção
A contaminação ocorreu provavelmente durante uma viagem de três meses pela Índia, em 2007. Embora Denman tenha evitado o consumo de carne no período para prevenir intoxicações, a ingestão inadvertida de carne de porco contendo ovos microscópicos da tênia é a hipótese principal do médico.
A primeira evidência da infecção surgiu apenas em 2010, quando a paciente identificou a eliminação de um parasita de um metro de comprimento. Na ocasião, exames de fezes não indicaram anormalidades e a ausência de sintomas permitiu que ela mantivesse sua rotina. No entanto, em 2011, o quadro evoluiu para dores de cabeça intensas, dificuldades de fala e a primeira convulsão.
O diagnóstico definitivo de neurocisticercose foi alcançado após exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética. Inicialmente, a suspeita médica era de toxoplasmose, mas a correlação com a detecção anterior da tênia direcionou a investigação para a infecção cerebral.
Impactos na saúde e tratamento
A paciente enfrentou um longo processo de recuperação, marcado por internações e o uso de esteroides e antiparasitários. Após um período de estabilidade, Denman sofreu um desmaio no trabalho, e novos exames de imagem revelaram inchaços cerebrais ao redor dos parasitas. Esse agravamento resultou em:
- Sintomas físicos: dormência, formigamento e confusão mental.
- Impactos psicossociais: perda do emprego e colapso da saúde mental, manifestado por paranoia, psicose, ansiedade e ataques de pânico.
Devido ao quadro, ela permaneceu seis semanas em um hospital neuropsiquiátrico. A recuperação total e o retorno ao trabalho ocorreram apenas em 2022. Atualmente, os parasitas no cérebro de Denman estão calcificados, o que dispensou a necessidade de intervenção cirúrgica. Embora a última convulsão tenha ocorrido em 2017, a paciente deverá utilizar medicação contra a epilepsia permanentemente.
Mecanismos de transmissão e riscos globais
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 8,3 milhões de pessoas convivam com a neurocisticercose globalmente. A doença é prevalente em regiões com saneamento básico precário e contato próximo com suínos, especialmente na África subsaariana, América Latina e sul/sudeste da Ásia.
O ciclo de transmissão ocorre da seguinte forma:
1. Cisticercose: A ingestão de ovos da tênia (eliminados nas fezes de pessoas infectadas que não higienizam as mãos) leva à formação de cistos em músculos, coração e olhos.
2. Neurocisticercose: Quando esses cistos se instalam no cérebro ou na medula espinhal, a condição torna-se grave, sendo uma das principais causas de epilepsia em áreas endêmicas.
É importante diferenciar que o consumo de carne de porco crua ou mal cozida causa a teníase, mas não provoca diretamente a neurocisticercose; esta última decorre da ingestão dos ovos do parasita.