Penteados com tensão excessiva podem causar alopecia de tração e a perda definitiva de cabelo
Prender os cabelos com tensão excessiva pode causar alopecia de tração, condição que gera danos ao folículo piloso e perda de fios nas têmporas e testa. A reversão ocorre com a interrupção do hábito, mas a tração prolongada pode causar perda definitiva do cabelo
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O hábito de prender os cabelos com tensão excessiva, como ocorre no penteado do jogador norueguês Erling Haaland, pode desencadear a alopecia de tração. De acordo com a dermatologista Mariana Paixão, especialista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a tração contínua causa danos mecânicos ao folículo piloso, que é a estrutura cutânea responsável pelo nascimento do fio.
Os sinais iniciais desse quadro incluem vermelhidão, quebra dos fios, sensibilidade e dor no couro cabeludo após a finalização do penteado. A perda capilar ocorre progressivamente nas têmporas e na linha da testa, áreas que sofrem maior pressão. Quando identificada precocemente, a condição é reversível mediante a interrupção do hábito. No entanto, a manutenção da tração por longos períodos pode gerar cicatrizes no folículo, resultando na perda definitiva do cabelo.
Essa condição difere da calvície genética, ou alopecia androgenética, que possui fisiopatologia distinta. A calvície clássica é influenciada por hormônios e genética, centrando-se na ação do DHT, substância derivada da testosterona. A perda de fios ocorre quando os folículos apresentam sensibilidade genética ao DHT, desencadeando a miniaturização: o cabelo torna-se sucessivamente mais fino e curto a cada ciclo, até que o folículo pare de produzir fios visíveis.
Devido a essa característica, a calvície não depende de alterações hormonais detectáveis em exames de sangue, pois níveis normais de hormônios podem coexistir com folículos sensíveis. A herança genética para essa condição é poligênica, podendo provir de ambos os lados da família, inclusive de avós e bisavós, não seguindo obrigatoriamente o padrão de um único progenitor.
Sobre a saúde capilar, existem equívocos comuns que não possuem base científica. A raspagem da cabeça, por exemplo, não acelera a queda, pois os folículos permanecem intactos sob a pele. Da mesma forma, o uso de bonés não causa calvície, podendo apenas agravar dermatites por aquecimento do couro cabeludo. O uso de secadores pode enfraquecer a fibra capilar se houver calor excessivo, mas não provoca a calvície genética.
Quanto à higiene e cuidados, lavar os cabelos diariamente não provoca queda, sendo a frequência indicada conforme o tipo de couro cabeludo; a perda de até 100 fios por dia é considerada normal. Shampoos antiqueda também não evitam a calvície, pois o tempo de contato com a pele é insuficiente para atuar nas causas internas da queda.
Outros mitos incluem a crença de que a calvície seria exclusiva de homens ou que estaria ligada a níveis elevados de testosterona. Na realidade, a conversão de testosterona em DHT ocorre em ambos os sexos, embora em mulheres a perda costume se manifestar como um afinamento difuso no topo da cabeça. Além disso, não há relação entre o surgimento de fios grisalhos e a calvície, nem evidências de que alimentos específicos possam impedir a perda genética de cabelo.