Pergunta sobre corte de unhas dos pés ajuda a identificar risco de quedas em idosos
Triagens clínicas simples, como questionar a capacidade de cortar as unhas dos pés, podem identificar o risco de quedas em idosos. A prevenção envolve a adaptação do ambiente doméstico, uso de calçados antiderrapantes e ajuste de medicamentos como benzodiazepínicos, anti-hipertensivos e hipoglicemiantes
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O risco de quedas em idosos pode ser identificado por meio de triagens clínicas simples, como a pergunta sobre a capacidade de cortar as próprias unhas dos pés. De acordo com Pedro Kallas Curiati, coordenador das especializações em geriatria e gerontologia da Faculdade Sírio-Libanês e doutor pela Faculdade de Medicina da USP, esse questionamento serve como um indicador multidimensional que revela, ao mesmo tempo, perdas de equilíbrio, mobilidade, visão, força de preensão manual e destreza.
O médico alerta para a existência do "caidor oculto", paciente que chega ao pronto atendimento com queixas que não parecem ligadas a quedas — como dores, infecções ou alterações metabólicas —, mas que possui um risco subjacente não detectado. Esse cenário é agravado por uma cascata de declínio funcional, na qual a deterioração do estado nutricional e a perda de mobilidade amplificam as vulnerabilidades do organismo.
Para mitigar esses riscos, é fundamental a adaptação do ambiente doméstico, com a instalação de barras de apoio nos banheiros, corrimãos em escadas, iluminação eficiente e a retirada de tapetes soltos. A atenção deve se estender ao uso de calçados com solado antiderrapante e à verificação de deformidades ou calosidades que prejudiquem o apoio dos pés.
No campo farmacológico, Curiati orienta a revisão e o ajuste de doses de medicamentos que elevam a probabilidade de quedas, destacando especialmente os hipoglicemiantes, anti-hipertensivos e benzodiazepínicos.