Saúde

Pesquisadores desenvolvem ferramenta para auxiliar médicos no diagnóstico do transtorno disfórico pré-menstrual

30 de Maio de 2026 às 12:12

O transtorno disfórico pré-menstrual afeta cerca de 115 milhões de mulheres globalmente e apresenta sintomas psicológicos graves. Pesquisadores da Universidade do Oeste da Escócia desenvolveram uma ferramenta para auxiliar médicos no diagnóstico da condição e na prevenção ao suicídio. O tratamento inclui antidepressivos, métodos contraceptivos e, em casos graves, a interrupção do ciclo hormonal

Pesquisadores desenvolvem ferramenta para auxiliar médicos no diagnóstico do transtorno disfórico pré-menstrual
Annika Waheed/Acervo pessoal

O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) afeta cerca de 115 milhões de mulheres globalmente, o que representa entre 2% e 5% da população em idade reprodutiva. Apesar da prevalência, que atinge aproximadamente uma em cada 20 mulheres, apenas uma pequena parcela das pacientes consegue obter o diagnóstico correto da condição.

Diferente da síndrome pré-menstrual (TPM), que se manifesta por irritabilidade, cansaço e inchaço, o TDPM é caracterizado por sintomas psicológicos graves, como depressão, ansiedade severa e sofrimento intenso. O transtorno ocorre durante a fase lútea, uma ou duas semanas antes da menstruação, e pode incluir manifestações físicas, como dores articulares, cefaleias e fadiga. No entanto, a presença de alterações de humor é indispensável para a confirmação do diagnóstico.

A condição está ligada a oscilações hormonais, especificamente ao pico de progesterona e às flutuações de estrogênio, que podem desencadear sentimentos de perda, desespero e falta de controle. O impacto é tão severo que estudos indicam uma maior probabilidade de pensamentos suicidas em mulheres com o transtorno. Relatos de pacientes, como o de Annika Waheed, descrevem ciclos em que pensamentos autodestrutivos persistem por duas semanas e desaparecem imediatamente com o início do fluxo menstrual. Outras pacientes, como Katie Cook, relatam que a batalha mental começa já na primeira menstruação, aos 12 anos, sendo frequentemente confundida por médicos com mudanças típicas do crescimento.

Para enfrentar a subnotificação e a dificuldade de diagnóstico, pesquisadores da Universidade do Oeste da Escócia, liderados por Lynsay Matthews, desenvolveram uma ferramenta de prevenção ao suicídio. O objetivo é auxiliar médicos a identificar sinais específicos do TDPM, já que o ciclo menstrual é raramente abordado em consultas de saúde mental. A ferramenta visa diferenciar a reação de mulheres com o transtorno em relação ao restante da população, com a expectativa de que a metodologia seja ampliada para uso generalizado após a fase de medição de eficácia.

A negligência médica é um ponto central na discussão sobre o TDPM. No Reino Unido, o Departamento de Saúde e Assistência Social admitiu que os sintomas dessas mulheres foram minimizados ou normalizados por muito tempo. Como resposta, a Estratégia de Saúde da Mulher do país foi renovada para garantir que as pacientes sejam ouvidas e encaminhadas aos especialistas adequados desde a primeira consulta.

O tratamento do TDPM varia conforme a paciente e muitas vezes exige um processo de tentativa e erro. As opções incluem o uso de antidepressivos e métodos contraceptivos, como a pílula ou o DIU Mirena, para a regulação hormonal. Em casos mais graves, recorre-se a medidas extremas, como a menopausa química ou a remoção dos ovários para interromper o ciclo hormonal. No caso de Annika Waheed, o uso de injeções para bloquear os hormônios impossibilitou a maternidade, evidenciando o impacto permanente do transtorno em sua vida. Outras mulheres, como Lily Rose Winter, consideram a menopausa química após anos de tentativas frustradas com outros tratamentos.

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