Saúde

Psicólogo defende a importância dos avós para combater a crise de saúde mental em adolescentes

16 de Junho de 2026 às 06:18

Mais de 40% dos adolescentes nos Estados Unidos relatam sentimentos de tristeza ou desesperança. O psicólogo Kenneth Barish defende a recuperação das redes de apoio familiar, destacando o papel estratégico dos avós no combate à solidão e ao estresse juvenil. A abordagem prioriza o diálogo e o suporte emocional em vez de focar apenas em conquistas individuais

Psicólogo defende a importância dos avós para combater a crise de saúde mental em adolescentes
Damial Detafuentes para Pixabay

O cenário de saúde mental entre adolescentes nos Estados Unidos é alarmante, com mais de 40% dos jovens relatando sentimentos persistentes de desesperança ou tristeza. Esse quadro é impulsionado por uma pressão intensa por conquistas, que resulta em índices elevados de depressão, ansiedade e abuso de substâncias.

Para enfrentar esses desafios, o professor de psicologia da Weill Cornell Medicine e membro da Associação Americana de Psicologia, Kenneth Barish, defende a recuperação das redes de apoio familiar. Em sua obra *The Art and Science of Parenting and Grandparenting*, Barish sintetiza quatro décadas de experiência clínica, unindo dados da neurociência, programas educacionais e estudos sobre desenvolvimento infantil para destacar a função estratégica dos avós na criação dos filhos contemporânea.

O psicólogo argumenta que a motivação baseada apenas na realização individual é frágil e gera altos níveis de estresse. O antídoto para esse ciclo seria o desenvolvimento de um senso de propósito que extrapole o sucesso pessoal. Nesse processo, a presença de figuras que ofereçam escuta ativa e combatam a solidão é essencial, auxiliando os jovens a compreenderem que conflitos podem ser resolvidos, relacionamentos podem ser restaurados e que estados emocionais negativos são transitórios.

Na prática, a contribuição dos avós se manifesta na promoção de momentos de diversão e no entusiasmo genuíno pelos objetivos e interesses dos netos, o que fomenta emoções positivas. Barish observa ainda que a sabotagem da iniciativa juvenil e a geração de ressentimentos ocorrem frequentemente por meio de críticas não intencionais de familiares, desmistificando a ideia de que o problema seria o excesso de elogios.

A perspectiva apresentada indica que o sucesso dos jovens depende menos do ensino de habilidades técnicas ou da oferta de recompensas e mais da capacidade de lidar com sentimentos dolorosos por meio do diálogo. Ao priorizar o fortalecimento da confiança e do orgulho interno em vez de apenas pavimentar o caminho para o êxito, os adolescentes tendem a apresentar maior resiliência, compromisso, gentileza e entusiasmo em suas atividades.

Notícias Relacionadas