Saúde

República Democrática do Congo registra surto de variante do Ebola sem vacina ou tratamento aprovados

21 de Maio de 2026 às 06:29

A República Democrática do Congo registra 51 casos confirmados e 139 mortes suspeitas da variante Bundibugyo do Ebola. A cepa não possui vacinas ou tratamentos aprovados, e a OMS classifica como alto o risco de propagação nacional e regional

República Democrática do Congo registra surto de variante do Ebola sem vacina ou tratamento aprovados
BADRU KATUMBA / AFP

A República Democrática do Congo enfrenta a rápida disseminação de uma nova variante do Ebola, o que gera alertas sobre a possibilidade de uma epidemia regional. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o surto provavelmente teve início há alguns meses, embora a resposta dos órgãos de saúde internacionais tenha ocorrido com atraso.

Até o momento, o país registra 51 casos confirmados da doença e 139 mortes suspeitas, enquanto outras 600 ocorrências seguem sob investigação. A gravidade do cenário atual é intensificada pelo fato de o surto ser causado pela variante Bundibugyo. Por ser uma cepa mais rara e menos conhecida, não existem vacinas ou tratamentos aprovados especificamente para ela, o que acelera o aumento de casos e óbitos.

A situação é agravada por fatores sociais, como a guerra civil no país, que provocou o deslocamento de quase 250 mil pessoas entre cidades e nações vizinhas, dificultando o controle sanitário.

O Ebola é provocado por vírus do gênero *Orthoebolavirus*, com seis espécies identificadas. Dessas, três causaram grandes surtos: o vírus Ebola (EBOV), o vírus do Sudão (SUDV) e o vírus Bundibugyo (BDBV). A doença, identificada pela primeira vez em 1976 no Sudão e no Congo, apresenta uma taxa média de letalidade de 50%. O episódio mais grave já registrado ocorreu entre 2014 e 2016, na África Ocidental.

A transmissão para seres humanos acontece por meio de animais selvagens, como primatas, porcos-espinhos e morcegos. Já a propagação entre pessoas ocorre via contato direto com superfícies contaminadas ou com sangue, secreções e fluidos corporais de indivíduos infectados.

Os sintomas surgem em um intervalo de dois a 21 dias após a infecção e incluem febre, fadiga, mal-estar, dores de cabeça, de garganta e musculares, além de vômitos, diarreia, dor abdominal e erupções cutâneas. Em quadros graves, podem ocorrer comprometimentos das funções hepáticas e renais.

Embora existam duas vacinas aprovadas para a doença — a Ervebo, indicada para resposta a surtos, e a combinação Zabdeno e Mvabea —, nenhuma delas é eficaz contra a variante Bundibugyo. Para enfrentar a crise, o Congo aguarda o envio de doses de um imunizante experimental desenvolvido pela Universidade de Oxford, provenientes do Reino Unido e dos Estados Unidos. No campo do tratamento, a OMS recomenda o uso de anticorpos monoclonais, como o REGN-EB3 (Inmazeb) ou o mAb114 (ansuvimab), que são proteínas laboratoriais que mimetizam o sistema imunológico natural.

Quanto ao risco de expansão, a OMS classifica a probabilidade de propagação nos níveis nacional e regional, abrangendo a República Democrática do Congo e Uganda, como alta. No entanto, o risco em escala global é considerado baixo, e o surto ainda não preenche os critérios para ser declarado como emergência pandêmica. Ainda assim, a mobilidade populacional gera preocupação com a propagação internacional, demandando cooperação global para vigilância, prevenção e aplicação de medidas de controle.

Com informações de G1

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