Saúde

Síndrome dos ovários policísticos muda de nome para refletir natureza multissistêmica da condição

22 de Junho de 2026 às 09:05

A síndrome dos ovários policísticos foi renomeada para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), condição que atinge cerca de 170 milhões de mulheres globalmente. A mudança visa corrigir imprecisões sobre a natureza multissistêmica da patologia e atrair investimentos em pesquisas e tratamentos

Síndrome dos ovários policísticos muda de nome para refletir natureza multissistêmica da condição
Getty Images/BBC

A Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), anteriormente denominada síndrome dos ovários policísticos (SOP), afeta entre 10% e 13% das mulheres em idade reprodutiva. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a condição atinge aproximadamente 170 milhões de pessoas globalmente, embora cerca de 70% dos casos permaneçam sem diagnóstico.

A mudança na nomenclatura, resultado de um esforço global de 14 anos envolvendo sociedades científicas, especialistas e organizações de pacientes, visa corrigir imprecisões históricas. O termo anterior sugeria que a patologia se restringia aos ovários, quando, na verdade, trata-se de uma condição multissistêmica. A confusão terminológica também envolvia a natureza dos cistos: as estruturas observadas nos ovários não são cistos, mas folículos que interrompem seu desenvolvimento, impedindo que o óvulo amadureça e seja liberado.

No cerne da SOMP estão a resistência à insulina e o excesso de andrógenos, que desencadeiam desequilíbrios hormonais e metabólicos. Esse quadro amplia o risco de desenvolvimento de hipertensão, diabetes tipo 2 e câncer de endométrio. Os sintomas são diversos e impactam a saúde física e mental, incluindo exaustão crônica, obesidade, crescimento excessivo de pelos, irregularidades menstruais — que podem variar de fluxos intensos e dolorosos à ausência de menstruação — e dificuldades de fertilidade.

A condição também está associada a ciclos viciosos de saúde. A SOMP aumenta a propensão à obesidade, o que pode levar à apneia do sono e fadiga. Há ainda evidências de que mulheres com a síndrome tenham três vezes mais chances de desenvolver transtornos alimentares, como bulimia nervosa e compulsão alimentar, além de maior vulnerabilidade à ansiedade e depressão.

Apesar da alta prevalência, a SOMP enfrenta a desvalorização médica e social. Historicamente, doenças exclusivamente femininas receberam menos investimento em pesquisa do que as condições masculinas, resultando em lacunas no conhecimento sobre a causa da síndrome, que ainda não possui cura. Além disso, sintomas graves são frequentemente normalizados por famílias e profissionais de saúde como "parte de ser mulher", levando a diagnósticos tardios ou tratamentos limitados ao uso de anticoncepcionais orais, ignorando a necessidade de suporte emocional e abordagens abrangentes.

A reclassificação da doença busca romper a paralisia no investimento em pesquisas e atrair mais financiamento para o desenvolvimento de tratamentos. O objetivo é que a nova terminologia facilite o encaminhamento de pacientes a especialistas e promova a conscientização pública e a criação de políticas governamentais que garantam um atendimento integral, unindo o tratamento biológico ao apoio psicológico para melhorar a qualidade de vida das pacientes.

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