Um terço dos psicólogos nos Estados Unidos nota que pacientes utilizam inteligência artificial como suporte complementar
Pesquisa da Associação Americana de Psicologia com mais de 1.200 terapeutas indica que 77% dos profissionais notaram pacientes utilizando chatbots para apoio emocional. A entidade alerta que a tecnologia não substitui o atendimento qualificado e publicou um guia sobre as limitações e riscos de privacidade da ferramenta
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Cerca de um terço dos psicólogos nos Estados Unidos observa que seus pacientes utilizam a inteligência artificial como um suporte complementar ao acompanhamento profissional. O dado integra uma pesquisa da Associação Americana de Psicologia (APA), que consultou mais de 1.200 terapeutas licenciados com atuação clínica para analisar a influência dessa tecnologia na rotina terapêutica.
O levantamento indica que 77% dos profissionais notaram que seus pacientes buscam em chatbots apoio emocional ou conselhos sobre saúde mental. Como a amostra abrange apenas pessoas que já realizam terapia, a incidência do uso de IA pode ser ainda maior, especialmente entre jovens e adolescentes, que encontram na ferramenta uma alternativa de menor custo financeiro para obter aconselhamento.
Apesar da disseminação, a APA alerta que a tecnologia não substitui a eficácia e a segurança de um profissional qualificado. Para mitigar riscos, a entidade estabeleceu um guia de uso seguro que detalha as limitações técnicas dessas ferramentas. Entre os pontos críticos, destaca-se que a IA é programada para reforçar a perspectiva do usuário e manter o engajamento por meio de respostas cativantes, em vez de estabelecer os limites necessários a um tratamento.
A entidade também pontua que a assertividade do tom de voz dos chatbots pode mascarar informações incorretas, transmitindo uma falsa sensação de precisão. Além disso, a capacidade da tecnologia de espelhar a linguagem do usuário ou citar fatos anteriores cria uma ilusão de compreensão e vínculo, embora não exista discernimento real ou relacionamento humano.
Do ponto de vista técnico, a IA opera via algoritmos e padrões de linguagem, carecendo de julgamento clínico ou compreensão do contexto pessoal do indivíduo. Por fim, há o risco relacionado à privacidade, já que os dados confidenciais inseridos em plataformas corporativas podem ser armazenados, compartilhados ou utilizados para o treinamento de novos modelos de software.