Saúde

Um terço dos psicólogos nos Estados Unidos nota que pacientes utilizam inteligência artificial como suporte complementar

12 de Julho de 2026 às 06:03

Pesquisa da Associação Americana de Psicologia com mais de 1.200 terapeutas indica que 77% dos profissionais notaram pacientes utilizando chatbots para apoio emocional. A entidade alerta que a tecnologia não substitui o atendimento qualificado e publicou um guia sobre as limitações e riscos de privacidade da ferramenta

Um terço dos psicólogos nos Estados Unidos nota que pacientes utilizam inteligência artificial como suporte complementar
Tiyowprasetyo para Pixabay

Cerca de um terço dos psicólogos nos Estados Unidos observa que seus pacientes utilizam a inteligência artificial como um suporte complementar ao acompanhamento profissional. O dado integra uma pesquisa da Associação Americana de Psicologia (APA), que consultou mais de 1.200 terapeutas licenciados com atuação clínica para analisar a influência dessa tecnologia na rotina terapêutica.

O levantamento indica que 77% dos profissionais notaram que seus pacientes buscam em chatbots apoio emocional ou conselhos sobre saúde mental. Como a amostra abrange apenas pessoas que já realizam terapia, a incidência do uso de IA pode ser ainda maior, especialmente entre jovens e adolescentes, que encontram na ferramenta uma alternativa de menor custo financeiro para obter aconselhamento.

Apesar da disseminação, a APA alerta que a tecnologia não substitui a eficácia e a segurança de um profissional qualificado. Para mitigar riscos, a entidade estabeleceu um guia de uso seguro que detalha as limitações técnicas dessas ferramentas. Entre os pontos críticos, destaca-se que a IA é programada para reforçar a perspectiva do usuário e manter o engajamento por meio de respostas cativantes, em vez de estabelecer os limites necessários a um tratamento.

A entidade também pontua que a assertividade do tom de voz dos chatbots pode mascarar informações incorretas, transmitindo uma falsa sensação de precisão. Além disso, a capacidade da tecnologia de espelhar a linguagem do usuário ou citar fatos anteriores cria uma ilusão de compreensão e vínculo, embora não exista discernimento real ou relacionamento humano.

Do ponto de vista técnico, a IA opera via algoritmos e padrões de linguagem, carecendo de julgamento clínico ou compreensão do contexto pessoal do indivíduo. Por fim, há o risco relacionado à privacidade, já que os dados confidenciais inseridos em plataformas corporativas podem ser armazenados, compartilhados ou utilizados para o treinamento de novos modelos de software.

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