Uso de medicamentos e suplementos pode interferir em resultados de exames laboratoriais e gerar diagnósticos equivocados
Thiago de Melo Costa Pereira discutirá a interferência de medicamentos e suplementos em exames laboratoriais no 51º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas, no Rio de Janeiro. O professor alertará sobre diagnósticos equivocados causados por substâncias como biotina e creatina. A recomendação é que pacientes listem todos os fármacos em uso e consultem médicos sobre a suspensão antes da coleta
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O uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos, condição conhecida como polifarmácia, gera alertas que vão além das interações químicas entre as substâncias. Um ponto crítico e menos difundido é a interferência de fármacos e suplementos nos resultados de exames laboratoriais, tema que será abordado por Thiago de Melo Costa Pereira, professor da Universidade Vila Velha, durante o 51º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas, no Rio de Janeiro, entre 28 de junho e 1º de julho.
O professor, que atua nas áreas de fisiologia, bioquímica e farmacologia, ressalta que a utilização de certas substâncias pode contaminar a análise clínica, levando a diagnósticos equivocados. Um exemplo ocorre com a biotina, suplemento utilizado para fortalecer unhas e cabelos, que pode simular um quadro de hipertireoidismo ao alterar os níveis de T4 (tiroxina) para cima e de TSH (hormônio tireoestimulante) para baixo. Para evitar esse erro, a suspensão da biotina deve ocorrer de dois a sete dias antes da coleta.
Outra interação relevante envolve a creatina, consumida para prevenir a sarcopenia — a perda progressiva de massa muscular — e para potencializar o desempenho físico. O uso desse suplemento precisa ser informado tanto ao médico quanto ao laboratório, sob risco de gerar exames desnecessários e custos adicionais.
A abrangência dessas interferências é ampla, englobando desde antipsicóticos até anti-inflamatórios. Para garantir a precisão dos resultados, a orientação é que o paciente anote todos os medicamentos e suplementos em uso e apresente a lista ao profissional de saúde e ao laboratório. Além disso, é fundamental que o paciente questione o médico sobre a necessidade de interromper qualquer substância antes da realização dos exames.