Uso de smartphones durante a evacuação aumenta em 46% o risco de hemorroidas, diz estudo
Estudo da revista PLOS One indica que o uso de smartphones durante a evacuação aumenta em 46% o risco de hemorroidas. A permanência prolongada no vaso sanitário intensifica a congestão dos vasos sanguíneos na região anal
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O uso de smartphones durante a evacuação tem elevado o risco de desenvolvimento de hemorroidas em 46%, conforme aponta um estudo publicado na revista científica PLOS One. O hábito de navegar por redes sociais e notícias prolonga a permanência no vaso sanitário, superando a antiga prática de ler jornais ou livros, já que o conteúdo digital é praticamente infinito.
A anatomia do vaso sanitário, que é mais baixo que uma cadeira comum, visa facilitar a saída das fezes ao alterar o ângulo entre o reto e o ânus. No entanto, essa posição aumenta a pressão na pelve e no canal anal, gerando congestão dos vasos sanguíneos. O proctologista Leonardo Castro explica que a permanência excessiva no aparelho intensifica essa congestão venosa, fator determinante para o surgimento das hemorroidas. Embora não exista um limite universal, períodos acima de quatro ou cinco minutos já podem causar danos vasculares na região.
As hemorroidas, caracterizadas por dilatações das veias anais, afetam mais da metade dos adultos em algum momento da vida. Os sintomas incluem dor, coceira, sensação de inchaço e sangramento. A condição é influenciada por fatores genéticos, idade e estilo de vida, sendo mais comum em adultos do que em crianças. A gestação, especialmente no último trimestre, também aumenta a predisposição devido à maior congestão vascular da pelve.
O quadro é agravado por hábitos intestinais inadequados, como a constipação, ingestão insuficiente de água, dieta pobre em fibras, sedentarismo e o consumo de alimentos ultraprocessados e fast food. O estresse e a ansiedade também contribuem para a desregulação intestinal. Para quem sofre de prisão de ventre, o tempo prolongado no vaso pode intensificar as crises hemorroidárias e piorar os sintomas.
O diagnóstico médico é fundamental, pois sangramentos e dores podem ser confundidos com outras patologias. A fissura anal, um rasgo no canal anal geralmente causado por fezes endurecidas, e a fístula anal, uma comunicação anormal entre o canal anal e a pele decorrente de infecções, apresentam sintomas semelhantes. Além disso, o sangue nas fezes pode ser um indicativo de doenças mais graves, como o câncer colorretal, que tem crescido entre jovens.
Embora as hemorroidas não evoluam para câncer, fístulas ou fissuras, a doença progride em quatro graus de gravidade. Casos leves são tratados com mudanças de hábito, enquanto quadros avançados podem exigir ligaduras elásticas em consultório ou intervenções cirúrgicas. O tratamento prioritário foca na saúde intestinal, com dieta rica em fibras, hidratação e exercícios físicos, além do uso eventual de pomadas ou laxantes para regularizar o intestino.
Para prevenir e tratar a condição, recomenda-se reduzir o tempo de permanência no banheiro, evitar o celular durante a evacuação e substituir o uso excessivo de papel higiênico por água e sabão. O uso de pequenos bancos para elevar as pernas também é indicado para simular a posição de cócoras, que é mais fisiológica e facilita a evacuação.