Vendas de tadalafila no Brasil cresceram de 3,2 milhões para 74,9 milhões de unidades em dez anos
As vendas de tadalafila no Brasil subiram de 3,2 milhões de caixas em 2015 para 74,9 milhões em 2025, segundo a Anvisa. O fármaco, indicado para disfunção erétil, hipertensão pulmonar e sintomas urinários, apresenta uso recreativo crescente entre homens jovens. A Sociedade Brasileira de Urologia alerta para riscos à saúde e a possibilidade de dependência psicológica
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As vendas de tadalafila no Brasil registraram um crescimento expressivo na última década. De acordo com dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o volume de caixas comercializadas saltou de 3,2 milhões em 2015 para 64,7 milhões em 2024, atingindo a marca de 74,9 milhões de unidades em 2025. Esse aumento ocorre paralelamente à facilidade de aquisição do fármaco em farmácias e à sua popularização em redes sociais e aplicativos de mensagem, onde passou a ser apelidado de "tadala".
Embora a substância seja indicada para o tratamento de disfunção erétil, hipertensão arterial pulmonar e sintomas urinários decorrentes do aumento da próstata, observa-se um uso recreativo crescente entre homens jovens e frequentadores de academias. O medicamento é utilizado indevidamente na tentativa de impulsionar o ganho de massa muscular — buscando o efeito de "pump", que gera um aumento temporário do volume muscular — ou para aprimorar o desempenho sexual. No entanto, a medicina reforça que não existem evidências científicas de que a tadalafila traga benefícios físicos ou sexuais para indivíduos saudáveis.
O mecanismo de ação do remédio consiste na inibição da enzima fosfodiesterase tipo 5 (PDE-5), o que promove a vasodilatação e melhora o fluxo sanguíneo. No caso da próstata, a substância auxilia no relaxamento da musculatura da bexiga, facilitando a micção. Apesar disso, o fármaco não atua no desejo sexual nem provoca ereções automáticas.
O uso sem prescrição médica acarreta riscos significativos. Efeitos adversos comuns incluem cefaleia, congestão nasal, rubor facial, dores musculares — especialmente na região lombar — e desconfortos gastrointestinais, como azia. Em quadros mais graves, podem ocorrer alterações auditivas, visuais, quedas bruscas de pressão arterial, desmaios e priapismo, caracterizado por ereções prolongadas por mais de quatro horas.
A segurança do paciente é comprometida quando a tadalafila é combinada com outras substâncias. A mistura com álcool potencializa o efeito hipotensor, elevando as chances de tonturas e taquicardia. O risco aumenta ao associar o remédio a energéticos, anabolizantes, estimulantes, drogas recreativas ou suplementos de origem desconhecida. Além disso, a interação com nitratos, utilizados em tratamentos cardíacos, pode provocar quedas perigosas da pressão arterial.
Há também o alerta para o uso "off label" por mulheres, que não deve ocorrer sem avaliação médica, embora a vasodilatação possa aumentar a sensibilidade genital.
Do ponto de vista psicológico, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) adverte que, embora a substância não cause dependência química, ela pode gerar dependência psicológica. O usuário passa a acreditar que a performance sexual depende exclusivamente do medicamento. Esse cenário é alimentado por pressões sociais, a influência de produtores de conteúdo digital e a exposição a materiais pornográficos que estabelecem padrões irreais de frequência e duração do ato sexual.