Adultos no Reino Unido passam mais de um terço do tempo no celular sem objetivo definido
Relatório Age of Autopilot indica que adultos no Reino Unido passam, em média, quatro horas diárias no smartphone, sendo 36% desse tempo sem objetivo definido. A análise com 6 mil pessoas associa o uso não intencional a experiências negativas. No Brasil, a média de uso de dispositivos conectados é de 53 horas e 30 minutos semanais
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Cerca de 36% do tempo que adultos no Reino Unido passam em seus smartphones ocorre de forma não intencional, conforme aponta o relatório Age of Autopilot. O estudo, baseado em três pesquisas realizadas entre 2024 e 2026, indica que a média de uso diário desses dispositivos é de quatro horas, sendo que mais de um terço desse período é gasto sem um objetivo claro, como no ato de rolar a tela automaticamente ou alternar entre aplicativos.
A análise, que ouviu aproximadamente 6 mil pessoas com 16 anos ou mais, revela que usuários que passam mais tempo no celular sem propósito definido tendem a relatar experiências negativas, incluindo a sensação de mal-estar após o uso ou a exposição a conteúdos desagradáveis. Embora a maioria das interações seja deliberada — como a consulta de mapas, previsão do tempo e envio de mensagens —, a natureza imersiva da tecnologia prejudica a capacidade de escolha do usuário, segundo a pesquisadora Eleanor Drage, da Universidade de Cambridge.
No Brasil, o cenário de hiperconectividade é evidenciado por dados da consultoria DataReportal (publicados em 2026 com base na GWI), que registram um uso médio de dispositivos conectados à internet de 53 horas e 30 minutos por semana.
Apesar de muitos usuários conhecerem ferramentas de controle de tempo de tela, a falta de motivação dificulta a implementação dessas medidas. Especialistas como Pete Etchells, da Universidade Bath Spa, ressaltam que, embora estimativas autodeclaradas possam ser imprecisas ou infladas quando comparadas a medições objetivas, o reconhecimento desses hábitos é fundamental para a gestão do uso. Para Etchells, a prioridade deve ser a identificação de comportamentos perigosos, como o uso do aparelho ao dirigir.
A discussão sobre o impacto do tempo de tela também envolve a função do design dos aparelhos. Netta Weinstein, da Universidade de Reading, observa que a navegação sem objetivo pode servir como relaxamento ou conexão social, embora seja necessário avaliar se a experiência resulta em renovação ou em piora do estado emocional.
No campo técnico, há críticas ao modelo de notificações ativadas por padrão, visto que tal escolha de design não prioriza o bem-estar do usuário. Como alternativa para recuperar o controle, Rafe Clayton, da Universidade de Leeds, sugere a desativação de notificações não essenciais e o aumento de atividades desconectadas do ambiente digital.
O objetivo central das discussões é tornar o uso dos dispositivos gerenciável e influenciar o projeto da tecnologia para que a conectividade ocorra de forma positiva. Como desdobramento, o Centro Leverhulme para o Futuro da Inteligência, da Universidade de Cambridge, iniciará uma pesquisa de cinco anos, financiada pela Virgin Media O2, para investigar os impactos da inteligência artificial generativa.