Tecnologia

Airbus desenvolve tecnologia de visão artificial para realizar pousos automáticos sem depender de rádiofaros terrestres

18 de Junho de 2026 às 18:16

A Airbus desenvolveu a Vision Landing Application, tecnologia de câmeras e inteligência artificial para pousos automáticos sem rádiofaros ou GPS. O sistema reconhece a geometria da pista e do terreno, visando operar em aeroportos secundários ou com baixa visibilidade. A implementação comercial aguarda certificação de órgãos reguladores como EASA e FAA

Airbus desenvolve tecnologia de visão artificial para realizar pousos automáticos sem depender de rádiofaros terrestres
Airbus

A Airbus desenvolveu a Vision Landing Application, uma tecnologia baseada em câmeras e inteligência artificial que permite a aeronaves realizarem pousos automáticos sem a necessidade de sinais de rádiofaros terrestres. O sistema atua como uma fonte de posicionamento independente, capacitando a máquina a reconhecer a geometria da pista e processar o terreno por meio de sensores, eliminando a dependência do sistema de rádiofaros ILS ou de sinais de GPS, que podem sofrer interferências por guerra eletrônica.

A solução visa resolver a limitação operacional enfrentada em aeroportos secundários ou em condições de visibilidade inferior a 100 metros devido à névoa. Atualmente, a ausência de tecnologia ILS nessas circunstâncias obriga os pilotos a interromperem a aterrissagem e desviarem a aeronave, causando impactos logísticos para companhias e passageiros. A implementação da capacidade de visão artificial no próprio avião evita a necessidade de investimentos de centenas de milhões de euros para equipar aeroportos com sistemas de Categoria III.

O projeto é fruto de oito anos de desenvolvimento e testes. Em 2020, a iniciativa ATTOL demonstrou a viabilidade ao realizar a decolagem, o taxiamento e o pouso autônomo de um A350 utilizando apenas visão artificial. A precisão da combinação de câmeras de alta resolução, LiDAR e IA foi validada pelo projeto militar AutoMate, enquanto o programa DragonFly testou os componentes em condições meteorológicas reais. Atualmente, o sistema Optimate executa missões autônomas completas em um A350 modificado.

Apesar da maturidade técnica, a entrada da tecnologia na frota comercial depende da certificação junto a órgãos reguladores, como a EASA na Europa e a FAA nos Estados Unidos. O rigor da aviação comercial exige que cada linha de código seja previsível, auditável e isenta de erros, diferindo dos algoritmos de consumo. Por esse motivo, a Airbus mantém a tecnologia em fase de pesquisa até que a segurança do algoritmo seja equiparada à das balizas terrestres.

Uma vez validada, a ferramenta funcionará como uma rede de segurança adicional. O objetivo não é a substituição dos pilotos, mas garantir que a aeronave consiga identificar a pista e pousar com precisão milimétrica mesmo em cenários extremos, como a falha de sistemas de satélite ou a falta de infraestrutura de precisão no aeródromo.

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