Algoritmo do MIT permite que smartphones rastreiem objetos atrás de paredes usando tecnologia LiDAR
Pesquisadores do MIT desenvolveram um algoritmo que utiliza a tecnologia LiDAR de smartphones para rastrear objetos atrás de paredes. O sistema processa reflexos de luz em superfícies para reconstruir formas e monitorar movimentos em tempo real. A técnica foi testada com sensores de baixo custo em manequins e objetos de papelão

Um novo algoritmo desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) permite que smartphones rastreiem objetos ocultos atrás de paredes, utilizando a tecnologia LiDAR. A inovação, detalhada na revista Nature, possibilita a captura de imagens sem linha de visão direta, transformando sensores de baixo custo em ferramentas capazes de enxergar além de barreiras físicas.
O funcionamento do LiDAR convencional baseia-se na emissão de pulsos de luz e na medição do tempo de retorno dos sinais para mapear ambientes em três dimensões, recurso utilizado em modelos premium para aprimorar a profundidade e a realidade aumentada. No entanto, esse método tradicional é limitado ao que está visível para o sensor. A solução do MIT altera essa dinâmica ao processar reflexos fracos de luz que ricocheteiam em pisos e paredes, integrando esses sinais em múltiplos quadros.
Ao movimentar o aparelho ou o objeto, o sistema combina dados de diferentes ângulos para estimar o deslocamento e a forma do item escondido. Durante os testes, a equipe utilizou um sensor LiDAR padrão de nível consumidor, com valor inferior a US$ 100, apontando-o para superfícies próximas a divisórias e paredes.
A eficácia do algoritmo foi comprovada no rastreamento em tempo real de um manequim em movimento, além da reconstrução tridimensional de letras e recortes de papelão. Em outra etapa experimental, o sistema monitorou a 30 quadros por segundo múltiplos objetos, incluindo as mãos de uma pessoa. Para otimizar a precisão e isolar o sinal das mãos em relação ao tronco, foram utilizadas luvas retrorrefletivas.
Atualmente, a tecnologia apresenta a limitação de funcionar melhor quando o software já possui ou consegue aproximar a forma básica do objeto, o que facilita a reconstrução a partir de sinais sutis. O objetivo agora é expandir a metodologia para que ela identifique formas desconhecidas ou mutáveis.
Caso essa evolução seja concretizada, a capacidade de imagem sem linha de visão (NLOS) poderá ser integrada a dispositivos vestíveis, robôs e produtos de consumo. O avanço elimina a necessidade de equipamentos laboratoriais volumosos e caros, permitindo que o processamento de reflexos anteriormente descartados se torne informação visual útil em dispositivos móveis.