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Amsterdã instala a primeira ponte de aço impressa em 3D do mundo

19 de Maio de 2026 às 06:37

A MX3D instalou em Amsterdã a primeira ponte de aço inoxidável impressa em 3D, com 12,2 metros de comprimento e 4,9 toneladas. A obra foi produzida por braços robóticos durante seis meses e conta com sensores que monitoram a estrutura em tempo real. O projeto recebeu financiamento de £320.000 e validação técnica do Imperial College London

Amsterdã instala a primeira ponte de aço impressa em 3D do mundo
Imagem: Ilustração

A MX3D implementou em Amsterdã a primeira ponte impressa em 3D do mundo, utilizando a tecnologia Wire Arc Additive Manufacturing (WAAM) para criar uma nova abordagem de infraestrutura pública. A obra, instalada sobre um canal, foi produzida por quatro braços robóticos industriais da ABB que, controlados por software próprio e arquivos CAD, depositaram camadas contínuas de aço inoxidável. O processo de impressão levou seis meses, tempo inferior ao de canteiros convencionais devido à redução de etapas e de desperdício de material.

A estrutura possui 12,2 metros de comprimento, pesa 4,9 toneladas e consumiu mais de 6.000 kg de arame de aço inoxidável. O design, que apresenta formato em S e balaústres perfurados, foi desenvolvido via algoritmos de design generativo, como Karamba e Grasshopper. Essa abordagem de otimização topológica e design computacional permitiu a criação de formas orgânicas, curvas e variações de espessura que seriam inviáveis ou onerosas em métodos de construção tradicionais, já que o aço é posicionado apenas onde há necessidade estrutural.

O projeto, realizado entre 2017 e 2025, contou com um financiamento de £320.000 da Lloyd’s Register Foundation e a colaboração de parceiros como Autodesk, ArcelorMittal e a construtora Heijmans. Devido à ausência de normas técnicas para aço impresso em 3D, a segurança da ponte foi validada pelo Grupo de Pesquisa de Estruturas de Aço do Imperial College London. Sob a liderança do professor Leroy Gardner, a equipe realizou testes destrutivos e não destrutivos para caracterizar o material antes da liberação para pedestres.

Além de sua função de travessia, a ponte opera como um laboratório de infraestrutura inteligente. Sensores integrados monitoram em tempo real a temperatura, vibração, deslocamento, deformação, qualidade do ar e as cargas dinâmicas geradas pelos usuários. Essas informações alimentam um gêmeo digital gerenciado pelo The Alan Turing Institute, em cooperação com a Universidade de Cambridge e a Autodesk. O modelo computacional permite que engenheiros analisem a saúde estrutural, prevejam desgastes e testem hipóteses de carga sem interromper a operação da ponte, abrangendo desde oscilações de fadiga até efeitos de corrosão e variações sazonais sobre o canal.

A inovação foi reconhecida com o prêmio Outstanding Development in Welded Fabrication, da American Welding Society, colocando a obra ao lado de projetos como o rover Curiosity e o Canal do Panamá. O reconhecimento marca a transição da manufatura aditiva em metal da fase de prototipagem para a aplicação real, com a MX3D já expandindo a tecnologia WAAM para as indústrias aeroespacial, nuclear, de energia e marítima. O objetivo atual da empresa é atingir a escala comercial, tornando o processo financeiramente competitivo em relação ao aço laminado convencional para viabilizar obras complexas e sustentáveis.

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