Anthropic restringe acesso de estrangeiros aos modelos Claude Fable 5 e Mythos 5 por segurança nacional
A Anthropic restringiu o acesso de estrangeiros e funcionários aos modelos Claude Fable 5 e Claude Mythos 5. A medida atende a uma determinação do governo dos Estados Unidos baseada em segurança nacional
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A Anthropic restringiu o acesso de cidadãos estrangeiros, inclusive de seus próprios funcionários, aos modelos de inteligência artificial Claude Fable 5 e Claude Mythos 5. A medida, anunciada na sexta-feira (12), atende a uma determinação do governo dos Estados Unidos fundamentada em questões de segurança nacional.
O bloqueio atinge as versões mais recentes da família Claude. Enquanto o Fable 5 estava disponível ao público geral, o Mythos 5 era limitado a organizações autorizadas. Este último é capaz de identificar vulnerabilidades de software e falhas de código desconhecidas há décadas, potencializando a correção de brechas por autoridades americanas e empresas selecionadas, mas gerando receio de que a tecnologia seja convertida em arma cibernética. A Anthropic afirma que seus testes detectaram apenas vulnerabilidades menores e argumenta que a aplicação ampla dessa regra impediria o lançamento de novos modelos por desenvolvedores de ponta.
A decisão aprofunda a crise entre a companhia e a Casa Branca, sob a gestão de Donald Trump. O desgaste começou no início do ano, após a Anthropic negar o uso de sua tecnologia para sistemas de armas autônomos e vigilância doméstica, além do fracasso em negociações sobre a utilização de seus modelos por serviços de inteligência e militares. Embora o Claude seja a IA de ponta mais utilizada pelo Pentágono em sistemas de informações confidenciais, o Departamento de Defesa incluiu a empresa em uma lista de riscos para cadeias de fornecimento, o que pode restringir contratos federais ainda este ano.
Recentemente, o presidente Trump assinou uma ordem executiva que exige a avaliação de riscos à segurança nacional por até um mês antes da liberação pública de sistemas avançados de IA. Essa medida altera a política de exportação dos EUA, que anteriormente focava em hardware e chips, passando agora a restringir o acesso estrangeiro aos modelos de software.
O cenário impacta a estratégia financeira da Anthropic, que solicitou confidencialmente a abertura de capital nos Estados Unidos no mês passado, visando um IPO possivelmente no segundo semestre com avaliação próxima a US$ 1 trilhão. A situação gera instabilidade entre investidores quanto aos riscos regulatórios e a manutenção da vantagem tecnológica da empresa.
Kirsten Davies, diretora de informação do Pentágono, defendeu a priorização da segurança nacional sobre avaliações de mercado e receitas. Por outro lado, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, embora defenda o bloqueio de softwares perigosos, sustenta que tal processo deve ser baseado em critérios técnicos e transparentes, o que não estaria ocorrendo.
A restrição também gera incertezas internas, já que figuras centrais da empresa, como o cofundador Chris Olah, o pesquisador Andrej Karpathy e a filósofa Amanda Askell, nasceram fora dos Estados Unidos, embora a cidadania americana de cada um não tenha sido confirmada.