Tecnologia

Baterias de sódio podem atingir a paridade de custos com o lítio até 2027

07 de Abril de 2026 às 18:10

Baterias de sódio podem atingir a paridade de custos com as de lítio até 2027, com preços atuais entre 0,5 e 0,7 yuan por Wh. A tecnologia apresenta maior autonomia e menor consumo em transporte pesado, operando entre -40 °C e 60 °C. No Brasil, a adoção deve iniciar por setores industriais e transporte pesado

As baterias de sódio avançam para a fase de competitividade comercial, com projeções do setor e do Cars New China indicando que a tecnologia pode atingir a paridade de custos com o lítio até 2027. Atualmente, o custo do sódio oscila entre 0,5 e 0,7 yuan por Wh, enquanto o lítio varia de 0,3 a 0,5 yuan por Wh. Essa convergência financeira é impulsionada pelo aumento da escala industrial e investimentos corporativos, contrastando com as pressões logísticas, de mineração e a volatilidade de preços que afetam a cadeia de suprimentos do lítio.

A aplicação prática já demonstra vantagens concretas, especialmente no transporte pesado. Testes com caminhões revelaram que baterias de sódio proporcionam uma autonomia até 20% superior e um consumo de energia por quilômetro cerca de 15% menor do que veículos equivalentes a lítio, resultado de uma maior profundidade de descarga. A tecnologia também se destaca pela estabilidade térmica, operando entre -40 °C e 60 °C e preservando mais de 90% da capacidade mesmo a -20 °C, o que dispensa sistemas complexos de controle de temperatura.

No quesito durabilidade, as células de sódio já superam 8.000 ciclos de recarga, com metas que alcançam 10.000 ciclos, tornando-as ideais para armazenamento de energia e transporte público. Embora o lítio ainda lidere o segmento de veículos de passeio devido à maior densidade energética, o sódio evolui tecnicamente com novas gerações projetando densidades acima de 180 Wh/kg e resultados já registrados em 175 Wh/kg, aproximando-se do desempenho das baterias LFP.

Estrategicamente, a diversificação química reduz a dependência de matérias-primas críticas e a concentração geográfica do lítio, já que o sódio é abundante e distribuído globalmente. Esse movimento, incentivado por países como a China, visa aumentar a segurança energética e facilitar a integração de fontes renováveis, como solar e eólica.

No Brasil, a tendência é que a adoção ocorra gradualmente, iniciando por aplicações industriais e transporte pesado para depois expandir para armazenamento em larga escala e veículos leves. A expectativa é que a chegada da paridade de custos em 2027 destrave a adoção massiva, promovendo estabilidade de preços e reduzindo a dependência de importações, consolidando um mercado onde diferentes tecnologias coexistem conforme a demanda por robustez, custo ou autonomia.

Notícias Relacionadas