Brasil desenvolve a primeira turbina a jato nacional para drones militares
Brasil desenvolveu a turbina ATJR15-5, integrando o Albatroz Vortex ao grupo de seis países com tecnologia nacional de propulsão para drones militares. O sistema, criado por cooperação entre FAB, Stella Tecnologia e AERO CONCEPTS, possui autonomia de 24 horas e carga útil de 150 quilos

O Brasil entrou para um grupo restrito de seis países que detêm a tecnologia para fabricar turbinas a jato nacionais destinadas a drones militares. O marco dessa conquista é o Albatroz Vortex, o primeiro sistema aéreo não tripulado do país a operar com propulsão desenvolvida e produzida integralmente em território brasileiro. O projeto é fruto de uma cooperação entre a Força Aérea Brasileira (FAB), a Stella Tecnologia e a AERO CONCEPTS, contando com suporte financeiro da Finep e aportes técnicos do Instituto de Aeronáutica e Espaço.
A tecnologia foi validada em 2025, por meio de testes que integraram a plataforma da Stella Tecnologia à turbina ATJR15-5. Produzido em São José dos Campos, esse motor gera um empuxo de aproximadamente 500 Newtons e integra uma linha de propulsores voltados para mísseis, drones e pequenos sistemas aeronáuticos. Para viabilizar a fabricação, a AERO CONCEPTS dominou o uso de superligas metálicas resistentes a temperaturas extremas e o sistema FADEC, que automatiza o controle de ignição, combustível e proteção do motor.
O Albatroz Vortex foi projetado para missões de reconhecimento, vigilância e inteligência do Exército Brasileiro, além de atuar no monitoramento de infraestruturas costeiras e fronteiras marítimas via navios-aeródromos da Marinha. A aeronave possui autonomia de 24 horas de voo contínuo e capacidade de transporte de até 150 quilos de carga útil, como câmeras e sensores. Outro diferencial operacional é a capacidade de pouso e decolagem em pistas inferiores a 150 metros, o que viabiliza o uso em bases avançadas ou regiões remotas da Amazônia.
Essa autonomia produtiva elimina a dependência de fornecedores estrangeiros para componentes estratégicos, mitigando riscos de interrupções no fornecimento causadas por sanções ou restrições comerciais. A iniciativa está inserida na estratégia "Força Aérea 100", que planeja a modernização da FAB até 2041 com foco em sistemas aeroespaciais autônomos e cooperação entre a iniciativa privada, centros de pesquisa e universidades.
Para sustentar esse avanço, o país investe na expansão de sua base técnica. O Instituto Tecnológico de Aeronáutica terá um novo campus na Base Aérea de Fortaleza para a formação de engenheiros especializados. Paralelamente, o Parque Industrial e Tecnológico Aeroespacial da Bahia — parceria entre o governo estadual, Ministério da Defesa e SENAI CIMATEC — concentra pesquisas em computação quântica, inteligência artificial e sistemas aeroespaciais.
O próximo passo para o Albatroz Vortex é a transição de demonstrador tecnológico para plataforma operacional. Serão realizados testes de certificação para validar sensores, motores e eletrônicos em condições reais de combate, permitindo que a produção alcance escala industrial. O domínio dessa tecnologia é tratado como prioridade de soberania, considerando a necessidade de monitorar as extensas fronteiras terrestres e a costa atlântica brasileira.