Tecnologia

Brasil desenvolve foguete VLM-1 para transportar cargas de pequeno porte para a órbita terrestre

09 de Abril de 2026 às 06:22

O Instituto de Aeronáutica e Espaço e a Agência Espacial Alemã desenvolvem o VLM-1, foguete de três estágios a propelente sólido para cargas de até 150 kg. O veículo visa transportar microssatélites e cubesats para a órbita terrestre baixa. Testes de motores e sistemas de navegação ocorrem em São José dos Campos antes dos voos de qualificação

O Brasil desenvolve o VLM-1, um veículo lançador projetado para transportar cargas de pequeno porte, com capacidade de até 150 kg, para a órbita terrestre baixa. O projeto, conduzido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) em cooperação com a Agência Espacial Alemã (DLR), visa atender a demanda global por microssatélites e cubesats, reduzindo a dependência de grandes foguetes onde cargas menores viajam como caronas, o que costuma restringir a escolha de datas e a inclinação orbital.

A estrutura do foguete é composta por três estágios movidos a propelente sólido. Os dois primeiros utilizam o motor S50, que emprega fibra de carbono e processos de enrolamento de filamentos para diminuir o peso e elevar a eficiência, suportando altas temperaturas e pressões durante a queima. O terceiro estágio utiliza o motor S44, responsável pela precisão da inserção dos satélites na órbita. Enquanto isso, a parceria com a Alemanha foca na validação dos sistemas de navegação e controle para atender a normas internacionais de segurança.

Em São José dos Campos, o IAE realiza testes de queima em banco de provas para monitorar o empuxo e a estabilidade dos motores, além de avaliar os sistemas de ignição do S50. A fase de ensaios inclui simulações de aerodinâmica das coifas de proteção e a separação dos estágios. O cronograma prevê voos de qualificação para a certificação de subsistemas mecânicos e eletrônicos antes do início das operações comerciais.

A consolidação dessa tecnologia permite a utilização estratégica do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, e oferece uma alternativa de baixo custo para instituições de pesquisa e empresas que operam constelações de satélites de comunicação ou observação terrestre. Além do impacto econômico e do estímulo à indústria de defesa e materiais avançados, o domínio do ciclo de lançamento amplia a autonomia do Brasil no monitoramento ambiental e na segurança nacional.

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