Brasil implementará a TV 3.0 com integração à internet e imagens em resolução 4K
O Decreto nº 12.595 regulamentou a implementação da TV 3.0 no Brasil, que adotará o padrão ATSC 3.0 para integrar a radiodifusão à internet com sinal gratuito. O sistema oferecerá resolução 4K e interatividade, com previsão de cobertura nacional em 15 anos e transmissões iniciais em capitais no primeiro semestre de 2026
A televisão aberta brasileira passará por sua maior atualização tecnológica desde a migração do sinal analógico para o digital em 2023 com a implementação da TV 3.0. Regulamentada pelo Decreto nº 12.595, assinado em 27 de agosto de 2025, a nova fase mantém a gratuidade do sinal para toda a população, refutando boatos sobre a cobrança de mensalidades. O sistema adotará o padrão norte-americano ATSC 3.0, escolhido pelo Fórum SBTVD após a análise de alternativas como o 5G Broadcast e o ISDB-T Avançado.
A mudança transforma o aparelho de televisão em uma plataforma conectada, integrando a radiodifusão à internet. Na prática, o telespectador terá acesso a imagens em resolução 4K nativa com suporte a HDR e áudio imersivo, similar à experiência de cinema. A interatividade será ampliada com a possibilidade de escolher câmeras alternativas em transmissões ao vivo, votar em programas em tempo real e acessar conteúdos complementares de notícias. Além disso, as emissoras poderão oferecer programas sob demanda, compras online e integração com serviços públicos, como o Gov.br e canais oficiais do Legislativo e Judiciário.
Para quem não possui conexão de internet, a programação tradicional continuará sendo recebida normalmente, garantindo que os recursos interativos sejam complementares e não excludentes. A transição será gradual: o sinal digital atual coexistirá com a TV 3.0, permitindo que aparelhos antigos continuem funcionando. Para usufruir das novas funcionalidades, será necessário possuir televisores compatíveis com o padrão ATSC 3.0 ou utilizar conversores (set-top boxes) em desenvolvimento pela indústria.
O cronograma de implantação é extenso, com previsão de cobertura nacional completa em até 15 anos devido às dimensões do país. Testes já ocorrem em São Paulo desde 2025 e em Brasília desde abril de 2026, com a expectativa de que as primeiras transmissões para o público nas grandes capitais aconteçam no primeiro semestre de 2026. O governo investiu R$ 7,5 milhões na regulamentação e coordenação entre Anatel, Ministério das Comunicações e emissoras, enquanto a infraestrutura de transmissão será custeada pelas próprias redes de televisão.
A iniciativa visa reposicionar a TV aberta diante do crescimento dos serviços de streaming e da migração da audiência para telas menores. Segundo Flávio Lara, presidente da ABERT, a tecnologia permitirá a criação de novos modelos de receita e negócios, similares aos já utilizados em redes sociais e plataformas digitais.
O impacto econômico será significativo, considerando que mais de 75 milhões dos 80 milhões de domicílios brasileiros possuem sinal de televisão. A renovação do parque tecnológico deve movimentar bilhões de reais nos próximos anos, com foco especial em garantir que as classes C, D e E não sejam excluídas do processo de modernização. Raymundo Barros, presidente do Fórum SBTVD e diretor de Tecnologia da Globo, define a TV 3.0 como uma renovação do compromisso da radiodifusão com a ética, a cultura e a informação.