Tecnologia

Cães-robôs com rostos de bilionários e figuras históricas integram exposição em museu de Berlim

30 de Abril de 2026 às 12:09

A instalação "Animais Comuns", de Mike Winkelmann, expõe cães-robôs com rostos de bilionários da tecnologia e figuras históricas na Neue Nationalgalerie, em Berlim. As esculturas capturam imagens do ambiente e as convertem em impressões baseadas na identidade visual de cada personalidade representada

A instalação "Animais Comuns", do artista digital americano Mike Winkelmann, conhecido como Beeple, utiliza cães-robôs com rostos humanos para provocar reflexões sobre poder e tecnologia na Neue Nationalgalerie, em Berlim. As esculturas mecânicas, que circulam pelo espaço expositivo reagindo ao público e desviando umas das outras, trazem as feições de bilionários do setor tecnológico, como Elon Musk, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg, além de figuras históricas e políticas, a exemplo de Pablo Picasso, Andy Warhol e Kim Jong-un.

O funcionamento da obra vai além da movimentação física. Os robôs capturam imagens do ambiente e as convertem em impressões que seguem a identidade visual da personalidade representada em cada rosto. Esse processo transforma a interação em uma crítica sobre como algoritmos e grandes nomes do mundo digital moldam a percepção da realidade de milhões de pessoas, substituindo a influência que, anteriormente, era exercida por artistas como Picasso.

A escolha por um visual realista intensifica a experiência, aproximando a arte de um cenário viável diante da rápida evolução da robótica e da inteligência artificial. Para a curadora Lisa Botti, a instalação atua como um dispositivo de atração que leva o visitante a questionar o destino das imagens capturadas e as implicações sociais da tecnologia, transformando conceitos abstratos em uma presença física e observadora dentro do museu.

A trajetória da obra, que estreou na Art Basel Miami Beach 2025, reforça a discussão sobre vigilância, automação e a curadoria invisível das plataformas digitais. O título da instalação sugere que comportamentos robóticos e interações imprevisíveis, hoje vistos como estranhos, podem se tornar elementos comuns do cotidiano. Dessa forma, a exposição materializa a ideia de que a influência tecnológica já não ocorre apenas via telas, mas como uma mediação constante e automatizada da realidade.

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