Tecnologia

CEO do Google DeepMind defende que a inteligência artificial deve ampliar o conhecimento humano

15 de Junho de 2026 às 12:11

Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind e Nobel de Química, defende a inteligência artificial como ferramenta de ampliação do conhecimento humano. O executivo destaca a aplicação da tecnologia em descobertas científicas, mas alerta para riscos de segurança causados pela competição corporativa. Para mitigá-los, propõe cooperação internacional e vigilância constante

CEO do Google DeepMind defende que a inteligência artificial deve ampliar o conhecimento humano
EFE/Tolga Akmen

Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind e vencedor do Prêmio Nobel de Química em 2024, defende que a inteligência artificial deve ser desenvolvida como uma ferramenta de ampliação do conhecimento humano, comparável a instrumentos científicos como telescópios e microscópios. Para o neurocientista, a tecnologia não deve ser vista sob perspectivas místicas, mas como um meio de acelerar descobertas em campos complexos e observar a realidade com maior precisão.

Essa abordagem prática é evidenciada pelo AlphaFold, sistema que prevê a estrutura tridimensional de proteínas com base em sequências de aminoácidos, impactando a medicina e a biologia molecular. Hassabis explica que a eficácia de sistemas como o AlphaFold e o AlphaGo — que derrotou o campeão mundial Lee Sedol — reside na capacidade de processar grandes volumes de dados e navegar por vastos espaços de busca para atingir objetivos claros, lógica que agora é aplicada na descoberta de novos fármacos.

Apesar do otimismo, o executivo alerta que a evolução da inteligência artificial geral pode provocar transformações mais rápidas e profundas do que as ocorridas na Revolução Industrial. Ele aponta um risco estratégico no setor: a competição corporativa pode desestimular a priorização da segurança, já que empresas que dedicam mais tempo a esse rigor podem perder a vantagem competitiva para quem lança sistemas primeiro.

Para mitigar esses riscos, Hassabis sustenta que a cooperação internacional, a vigilância constante e a prudência são indispensáveis. Ele acredita que o engenho humano e a colaboração entre as mentes mais qualificadas de diferentes empresas são capazes de garantir que a tecnologia seja construída de forma segura.

O objetivo final é que a IA se torne uma metatecnologia para solucionar desafios globais, como a cura de doenças e avanços energéticos. No entanto, o CEO do Google DeepMind enfatiza que a ferramenta não substitui o julgamento humano, mas serve para liberar tempo e permitir que cientistas formulem perguntas mais ambiciosas e pensem com maior profundidade.

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