China incorpora ao seu arsenal um dos maiores navios da história, o porta-aviões Liaoning
A China incorporou ao seu arsenal naval o porta-aviões Liaoning, com mais de 300 metros de comprimento e cerca de 60 mil toneladas. O navio foi construído na década de 1980 pela União Soviética, mas ficou abandonado após a queda da URSS em 1991. Ele foi transportado para a China onde passou por uma reconstrução que durou quase uma década e agora serve como plataforma crucial para desenvolver capacidades de aviação naval chinesa
O Navio-Símbolo da Transformação Naval Chinesa: A História do Liaoning
A China alcançou recentemente um marco importante em sua transformação militar e tecnológica, com a incorporação ao seu arsenal de defesa naval o porta-aviões Liaoning. Com mais de 300 metros de comprimento e cerca de 60 mil toneladas de deslocamento, este navio é hoje um dos símbolos mais visíveis da capacidade militar do país.
Mas como isso aconteceu? A história do Liaoning remonta aos últimos anos da União Soviética. Na década de 1980, estaleiros soviéticos começaram a construir o porta-aviões Varyag, que seria parte das novas gerações de navios militares da época. Com mais de 300 metros e equipado com armamentos pesados, incluindo grandes mísseis antinavio, este projeto era ambicioso demais para a União Soviética.
Com o colapso da URSS em 1991, o Varyag ficou cerca de 70% pronto. No entanto, sem financiamento e recursos militares suficientes, ele foi abandonado no estaleiro ucraniano de Mykolaiv. A Ucrânia herdou a estrutura do navio mas não tinha necessidade ou capacidade para concluí-lo.
Foi então que uma empresa de Macau apresentou um plano inusitado: transformar o casco em cassino e hotel flutuante, com previsão de custo de cerca de 20 milhões de dólares. Embora pareça extravagância inicialmente, muitos analistas sugerem agora que essa estratégia era apenas uma cobertura para a China adquirir o navio sem gerar reação internacional imediata.
O transporte do casco até a China foi um processo complicado e demorado, com mais de 28 mil quilômetros percorridos em cerca de um ano. Em Dalian, no norte da China, os engenheiros trabalharam por quase uma década para transformar o navio em porta-aviões.
A reconstrução do Liaoning foi fundamental na criação das capacidades de aviação naval chinesa modernas. O navio recebeu novos sistemas de propulsão e armamentos, além da instalação dos caças J-15 embarcados. A rampa inclinada no convés (chamada ski-jump) permite que os aviões decolam sem catapultas.
A incorporação do Liaoning à marinha chinesa em 2012 foi um passo importante na estratégia naval da China, mudando sua ênfase de defesa costeira para capacidades de projeção de poder. Agora o país pode operar aeronaves longe do território continental e proteger rotas marítimas.
O Liaoning serviu como plataforma crucial para desenvolver doutrina, treinamento e operações de aviação naval chinesa. Cada missão no convés é uma oportunidade valiosa para os pilotos, engenheiros e comandantes navais aprenderem novas habilidades.
A trajetória do Liaoning mostra como um casco abandonado pode se transformar em instrumento estratégico crucial da marinha chinesa. Agora a China enfrenta uma nova realidade no Pacífico: o surgimento de novos porta-aviões e capacidades militares avançadas.
O que isso significa para as relações internacionais? A corrida naval no Oceano Pacífico ganha novo fôlego.