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China lança inovadora abordagem de combate ao avanço dos desertos com painéis solares 'mini guarda-chuvas

06 de Abril de 2026 às 06:06

China lança inovação no combate ao avanço dos desertos com painéis solares "mini guarda-chuvas" para proteger plantas resistentes. A instalação agro-solar de 1 gigawatt em Ningxia é um exemplo desse projeto que combina geração de energia e contenção do deserto. O objetivo é minimizar danos e estabilizar áreas vulneráveis, com cerca de um quarto da China classificado como "desertificada

China lança inovadora estratégia de combate ao avanço dos desertos, utilizando milhares de painéis solares como "mini guarda-chuvas" para proteger plantas resistentes e reduzir evaporação da umidade.

A região noroeste chinesa de Ningxia está na vanguarda dessa iniciativa. Lá, a empresa Ningxia Baofeng opera uma instalação agro-solar de 1 gigawatt que combina geração de energia com o combate ao avanço do deserto. A lógica por trás disso é simples: os painéis solares funcionam como mini guarda-chuvas, projetando sombra sobre plantas e solo e reduzindo a evaporação da umidade.

Essa abordagem faz parte de uma rede que se expande pelo norte e oeste da China com o objetivo de deter e reverter o avanço do deserto usando o volume e a sombra das estruturas solares. A instalação em Ningxia é apenas um dos muitos projetos semelhantes espalhados pela região.

A abordagem padrão envolve três camadas: primeiro, os painéis solares protegem sementes e arbustos resistentes ao deserto instalados sob eles. Segundo, barreiras ao redor reduzem a velocidade do vento e ajudam a impedir o movimento da areia. Terceiro, é preciso paciência: segundo o governo de Ningxia, pode levar até cinco anos para que os resultados apareçam de forma clara.

O objetivo dessa estratégia não é eliminar desertos por completo, mas minimizar danos e estabilizar áreas vulneráveis. Aproximadamente um quarto da China está classificado como "desertificada", e as campanhas para conter e recuperar as areias remontam à década de 1970.

A energia solar entra nessa luta como medida mais recente, tendo sido incluída em uma revisão do programa emblemático "Três Nortes" iniciado em 1978. Entre 2025 e 2030, o plano oficial prevê instalar cerca de 253 GW de energia solar para revitalizar áreas desertificadas.

Além disso, a China proibiu a instalação de painéis solares em terras aráveis desde 2023, deslocando esses projetos para regiões desérticas e ressecadas. Esse movimento visa atacar dois problemas ao mesmo tempo: gerar energia e enfrentar o avanço do deserto sem competir com o uso agrícola do solo.

Os resultados em escala nacional mostram uma melhora pequena, porém consistente. As terras desertificadas representavam 26,8% da China no ano passado, redução de 0,4 pontos percentuais frente aos 27,2% de uma década antes. Embora os programas massivos de plantio de árvores tenham contribuído para essa diminuição, a expectativa é que o uso combinado da energia solar e das técnicas agrícolas possa trazer resultados mais rápidos.

A diretora do local Wang Xiaoling resume a ideia com realismo: controlar o deserto é uma guerra prolongada. E os especialistas concordam, ressaltando que usar painéis solares para frear o avanço dos desertos pode ser considerado um paliativo inteligente capaz de trazer novas vantagens à longo prazo.

A China está apostando nessa estratégia como uma das principais alternativas para conter a expansão desse problema. Além disso, ela também visa estabilizar áreas vulneráveis e minimizar danos em regiões que já estão desertificadas.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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